24 dias, 5 países: Paris

Viajar é a única coisa que você compra e que te deixa mais rico.

Já ouvi muito essa frase por aí, mas agora ela faz sentido pra mim.

Dia 24 de fevereiro saí de Budapeste em busca da minha viagem dos sonhos que passaria por 5 países (França, Suíça, Egito, Bélgica e Irlanda)… Finalmente, o Egito me esperava!!!

Essa foi a viagem mais longa da minha vida. E acho que vai ser difícil superar, viu. Foram exatamente 24 dias longe da minha caminha linda em Budapeste. E pra ser sincera, senti MUITA falta da minha cidade do coração – Sofrendo antecipadamente em ter que voltar pro Brasil.. 😢

Enfim. Meu primeiro destino foi PARIS! Foram 5 dias na cidade da luz. Coisa linda!
Paris é daquelas cidades que te convidam a passar um dia, uma semana, férias de um mês, ou quem sabe um ano sabático estudando gastronomia ou história da arte. Realmente há muito o que fazer, mas se você só tem 5 dias na cidade, já é o suficiente para conhecer alguns dos seus principais pontos turísticos, vivendo um pouco o dia a dia dos franceses.

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Logo no primeiro dia, de manhã, fui conhecer o Museu do Louvre (segunda, quinta, sábado e domingo  9/18h, quarta e sexta  9/22h, fecha às terças, metrô Palais Royal Museé du Louvre). É verdade que num período de 3 ou 4 horas você não conseguirá ver nem metade do museu detalhadamente, mas é suficiente para conhecer as principais atrações. Alem disso, Paris espera por você do lado de fora, não é mesmo?

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Mona avec moi
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Mona Lisa: Uma maratona em meio a um mar de turistas pra conseguir chegar pertinho da obra!

 

Top 10 do Louvre:

1- Monalisa, de Leonardo da Vinci

2- Venus de Milo, estátua grega de aprox 100 a.C.

3- Vitória de Samotrácia, estátua grega de aprox 190 a.C

4- Múmias e sarcófagos na seção Egípcia, Ala Denon

5- Esculturas na seção Etrusca e romana, ala denon

6- As Pirâmides de vidro (do lado de fora) e a pirâmide invertida (dentro)

7- A Coroação de Napoleão, quadro de Jacques-Louis David

8- A Virgem dos Rochedos, quadro de Leonardo da Vinci

9- Psiquê revivida pelo beijo de Eros, escultura em mámore de Antonio Canova de aprox 1787

10- O Escravo Moribundo, escultura de Michelangelo de aprox 1516

E chegou a hora da Torre mais famosa do mundo: Você vai chegando pertinho dela, a famosa Torre que era pra ser temporária, construída para a Exposição Mundial de 1889 e que acabou ficando e se tornando o símbolo da cidade. Eu nem imaginava que a torre em si fosse tão bonita, o trabalho em metal é cheio de detalhes ornamentais, e vê-la de perto foi muito emocionante. Na hora de ir embora, não esqueça de se afastar da Torre para apreciá-la acesa, à noite. Fiquei assistindo boquiaberta.

 

Montmartre, um dos bairros mais charmosos de Paris

A região de Montmartre, imortalizada pelo filme da Amélie Poulain, que fica ao norte de Paris, no bairro 18, é uma das regiões mais bucólicas e charmosas da cidade por causa de suas ruazinhas arborizadas, seus pintores de rua, seus cafés e cabarés. Além disso, como fica no alto de uma colina, oferece uma das mais lindas vistas da cidade.

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As charmosas ruelas arborizadas de Montmartre
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O Moulin Rouge, um dos mais tradicionais cabarés da cidade

 

Em Montmartre fica também a famosa igreja Sacré-Coeur.

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A igreja de Sacré-Coeur

Geralmente, os turistas do mundo inteiro se limitam a visitar a igreja e  a famosa Place des Tertres, ocupada por pintores de rua que fazem caricaturas dos turistas e retratam a cidade.

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Mas tem muito mais coisa pra ver em Montmartre e você não deve se limitar a este circuito turístico banalizado. (Pude perceber tudo isso com a ajuda de uma brasileira que encontramos que já foi a Paris várias vezes, e que nos mostrou os encantos de Montmartre ❤). Ande  pelas escadas e ruelas do bairro para descobrir o que realmente contribui para que Montmartre seja um dos bairros mais charmosos de Paris.

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Dicas gerais, para lembrar sempre que for a Paris
– Evite comprar o bilhete unitário de metrô, pois o lote com 10 bilhetes sai bem mais em conta (unitário -1,70 euros e 10 bilhetes – 12 euros).
– Guarde o bilhete de metrô usado até sair da estação. Se a fiscalização solicitar o bilhete e você não tiver para exibir, será multado. Atualmente essa multa é de 40 euros.

A próxima curva: Finalmente Disney! 😍😍😍

A Disney de Paris, ou melhor, o Disneyland Paris Resort, é a atração mais visitada de toda a Europa e foi inaugurada em 1992. O complexo possui dois parques temáticos, o Disneyland Park e o Walt Disney Studios. O resort não fica exatamente em Paris, mas 30km ao leste da cidade, em Marne-la-Vallée. A Disneyland Paris é acessível de carro e através da estação de trem  Gare Marne-la-Vallée – Chessy, praticamente dentro do resort. A linha da Disney é a RER-A4 (RER é o metrô suburbano de Paris).

Quem pensa na Disney lembra obviamente de Orlando e da Califórnia, mas muitos esquecem que existe um Parque Disney na Europa e que fica bem na periferia de Paris! Na verdade, são dois Parques: Disneyland Paris e Walt Disney Studios, um do lado do outro, e ambos bem menores que os dos Estados Unidos, mas fazem parte do mesmo grupo Walt Disney Company e tem as principais atrações de seus antecessores. Por isso, se já conheceram a Disney nos Estados Unidos, dá perfeitamente para matar as saudades, ou se for a primeira vez, como eu, dá para passar o dia inteiro, se encantar mil vezes e até agradecer por não ter mais coisas para ver, pois em um dia, não dá nem tempo! E também tem aqueles que são da opinião que não há nada como conhecer a Disney com Paris de brinde! Ou vice versa!

Os detalhes do Parque: dizem que a perfeição mora nos detalhes e aqui, detalhes é que não faltam! Vocês vão se encantar pela arquitetura, pelos jardins, jardineiras…Tudo é feito para agradar aos olhos! E oMickey ainda dá as boas vindas…

A organização para aproveitar o Parque!

– Logo na entrada, peguem um mapa para se localizar e entender onde estão os brinquedos que vão interessar a família.

– Vale a pena ficar atento com os horários de algumas atrações, como o local e encontro com os personagens: Mickey, Minnie, Pateta, Ursinho Pooh…todos eles têm horários para aparecerem. As crianças ficam enlouquecidas e fazem fila para beijar os personagens, tirar fotos com eles, pedir autógrafos…

– Fiquem ligados também nos horários da Parada Disney, sendo que a do final do dia, antes de fechar o parque é a mais espetacular!

– Em algumas atrações mais concorridas, existe o sistema do “Fast Pass”: você passa o seu tíquete de entrada em uma máquina na entrada do brinquedo e ela lhe dá um outro tíquete com uma faixa horária para voltar. Assim, você vai aproveitar outros brinquedos, volta mais tarde e passa em uma fila especial naquele trecho horário, evitando assim uma fila maior! Vale a pena.
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Para mais informações:

Disneyland Paris: disneylandparis.com

 

Continua…

 

 

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I dreamed a dream

Capítulo 1 – O menino que sobreviveu ⠀
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-Boa sorte, Harry – murmurou ele. Girou nos calcanhares e, com um movimento da capa, desapareceu. ⠀ ⠀
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Uma brisa arrepiou as cercas bem cuidadas da rua dos Alfeneiros, silenciosa e quieta sob o negro do céu, o último lugar do mundo em que alguém esperaria que acontecessem coisas espantosas. ⠀
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Harry Potter virou-se dentro dos cobertores sem acordar. Sua mãozinha agarrou a carta ao lado mas ele continuou a dormir, sem saber que era especial, sem saber que era famoso, sem saber que iria acordar dentro de poucas horas com o grito da Sra. Dursley ao abrir a porta da frente para pôr as garrafas de leite do lado de fora, nem que passaria as próximas semanas levando cutucadas e beliscões do primo Duda… ele não podia saber que, neste mesmo instante, haviam pessoas se reunindo em segredo em todo o país que erguiam os copos e diziam com vozes abafadas: ⠀
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-A Harry Potter: O menino que sobreviveu! ⠀⠀ ⠀

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Prometo não fazer desse post totalmente sobre Harry Potter, mas não posso mentir que será pelo menos uns 80%. Quem me conhece a vida inteira sabe do que eu to falando. Pra quem tá me conhecendo agora, talvez seja um pouquinho difícil de explicar… ou talvez difícil de entender. Sim. Eu cresci nesse mundo, que uma das minhas pessoas favoritas – a JK Rowling – criou. E que faz parte de mim há pelo menos 14 anos.

Londres sempre esteve em um pedestal pra mim. Sempre foi mais que simplesmente o famoso Big Ben, a cabine telefônica vermelha ou a London Eye. Como eu sonhei em conhecer, e em alguns (tá, vários) momentos em morar naquele lugar que eu conhecia somente por livros e filmes. Desde o começo, eu sempre associei Harry Potter a Londres e, mesmo agora, depois da minha visita, continuo o fazendo mesmo que involuntariamente, e ainda mais intensamente.

Estar em Londres foi poder ver com meus próprios olhos alguns dos lugares que a JK Rowling frequentava e que a inspiraram na criação desse mundo que eu tanto amo, e andar por essas ruazinhas de Londres me dava a impressão de que eu já conhecia aquele lugar, que era tão familiar pra mim.

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Em uma parte do walking tour, o guia (que eu já considerei pakas quando a primeira coisa a mencionar foi: “Alguém aqui gosta de Harry Potter?” EU EU EU!!!!!) nos levou a um beco em que a JK Rowling se inspirou para criar a “Travessa do Tranco”, ou originalmente a Knockturn Alley, que fica no Beco Diagonal e é onde se encontram lojas que se dedicam às Artes das Trevas, como a Borgin & Burke. E logo ao lado dessa rua, nosso guia apontou para um lugar em que a JK Rowling teria dito ser uma de suas ruas preferidas em Londres – O que coincidentemente serviu de inspiração para um set do Beco Diagonal nos filmes. Eu fiquei tão encantada com tudo aquilo, pra mim era tudo muito real.

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Rua que serviu de inspiração pra Travessa do Tranco

Fiquei meio louca em Londres, porque era MUITA coisa que eu queria ver e fazer em tão pouco tempo (fui dia 03 de dezembro, e meu voo de volta já era dia 6, no domingo, pela manhã). Então aqui vão algumas dicas pra quem tá planejando ir, e tentar aproveitar ao máximo o tempo da viagem.

1) Adquira um Oyster Card

O melhor amigo de quem vai a Londres é o Oyster Card. Além de ajudá-lo a economizar umas librinhas no transporte público (a passagem é mais barata para os usuários do cartão), ele dá desconto em meios de transporte alternativos – e ainda por cima agiliza, e muito, sua vida lá. Já pensou ter que comprar passagem toda vez que for andar de metrô/ônibus/trem? Tá louco, é muita perda de tempo).

O Oyster custa 5 libras (que podem ser devolvidas quando você não for mais utilizar o cartão, é só ir em uma das máquinas e trocar) e pode ser adquirido nas estações de metrô, em algumas lojinhas autorizadas ou pela internet (aqui). A carinha dele é essa, ó:

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2) Não se prenda demais aos roteiros

Ter um planejamento dos seus dias em Londres é essencial para aproveitar bem tudo que a cidade tem a oferecer. Porém, contudo, entretanto, você pode deixar de aproveitar surpresas encantadoras se SÓ fizer o que está no seu roteiro.

Por mais que você tenha pesquisado muito antes de ir, que tenha lido todos os excelentes blogs sobre Londres, tenha uma coisa em mente: é impossível conhecer TUDO sobre esta cidade, mas se você se soltar um pouquinho dos roteiros pode conhecer mais do que poderia sonhar, e ainda pode se surpreender…

Minha dica nesse sentido é: vai ver o Big Ben? Ok, mas não veja só ele “por ali”. Ah, e vá além do combo Big Ben + London Eye + Westminster Abbey, também. Ande pela região, mas ande mesmo; ande muito. Acredite, voltei com os pés doendo como nunca doeram na vida! E não me arrependo de nenhum segundinho. Dê uma olhadinha em um mapa desses de rua (tem vários espalhados pelo centro!), escolha um lado e simplesmente vá andando para descobrir novas ruas, parques, igrejas… coisas bonitas. Vai valer a pena. Você vai ver!

Ah, outra coisa: também é bacana curtir a cidade em diferentes momentos do dia. Manhã, tarde e noite apresentam Londres completamente diferente. Por isso, bata perna de cedinho até de noitão. Você vai ver como é incrível a diferença de “clima” em um mesmo lugar simplesmente com o cair do dia…

3) Determine sua agenda do dia com a ajuda de um mapa

Enquanto estamos planejando uma viagem é normal que anotemos uma dica de uma atração aqui, outra ali, mais uma acolá e no fim “espalhe” tudo entre os dias que se tem para curtir aquele destino. Só que nessa, às vezes não nos damos conta de que pode ser que a atração “A”, que você viu no blog “1” e programou visitar no primeiro dia da viagem na real está quase colaaaada com a atração “B”, que você viu no blog “2” e que planeja conhecer no segundo dia da viagem. E aí você perde tempo e até mesmo perde a chance de explorar melhor uma região bem bacana da cidade.

O que eu quero dizer com isso é simples: Tenha um mapa em mãos na hora de definir sua programação em Londres (e também na hora de rodar por lá). Você vai entender, por exemplo, que em um único dia dá para curtir Big Ben, London Eye, Westminster Abbey e ir a pé até Trafalgar Square, Leicester Square, Covent Garden, etc. etc. etc. – Isso se você estiver disposto a acordar cedo e bater perna o dia todo, claro.

Quando além do mapa você tem um GPS (no celular ou no tablet) a vida fica ainda mais fácil. Você consegue elaborar uma rota bacaninha e programar seus passos antes de sair pra rua (Foi o que me ajudou bastante, principalmente na minha ida à Abbey Road).

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Metrô da Inglaterra

Mas, ó, nunca se esqueça da dica 2: não se prenda demais aos roteiros. Mesmo que esteja tudo planejadinho, vez ou outra fuja da rota, entre em uma rua que parece legal, aventure-se em um restaurantezinho que chamou sua atenção e curta Londres da SUA maneira. Aliás, essa é a dica 4…

4) Não faça o que os outros querem, faça o que VOCÊ quer

Odeia museus, mas todo mundo diz que teeeem que conhecer o British Museum enquanto estiver em Londres? Não vá. Você vai achar um porre e vai ter perdido um precioso tempo.

Tem pavor de roda gigante, mas todo mundo diz que a London Eye vale a pena, porque mostra uma vista linda da cidade? Não vá, você vai ficar irritado. Mas se quiser ver Londres do alto busque alternativas que tenham mais seu perfil.

Eu, por exemplo, não podia me imaginar em hipótese alguma indo a Londres e não conhecendo a famosa Abbey Road, como fã dos Beatles que sou. Acabei indo no meu último dia lá, sozinha mesmo. Olhei no mapa qual era o melhor meio de chegar lá, que não é tãão no centro da cidade, e fui. Acabou que não peguei a melhor rota, achei que não fosse achar o lugar e tive que andar bastante! Mas não me arrependo nem um pouquinho! Esses são os melhores momentos da sua viagem, quando você acha que algo não vai dar certo e acaba se encontrando. São as melhores experiências que alguém pode ter.

Enfim, faça o roteiro de acordo com os SEUS gostos. Não se importe se depois alguém falar “Credo, mas ele só ficou estirado em gramados de parques em Londres”, ou “Nossa, ela foi pra Londres e só queria saber de rezar, que beata”. Se você fez isso e foi feliz lá, ponto pra você, ora bolas. 🙂

Claro claro que dar uma espiadinha no Big Ben (nem que seja por cinco segundos) e no Buckingham Palace é meio que obrigação, mas você não precisa pagar pra entrar se não quiser, então não será perda de tempo. Garanto.

Voltando ao assunto inicial… (Risos). Estava contando os dias pra que esse bendito dia 04 de dezembro chegasse e eu finalmente pudesse conhecer toda a real magia por trás dos filmes que deram vida à minha saga favorita.

Pra ir ao estúdio da Warner Bros, você precisa comprar o ingresso no site, que custa 33 libras (Ouch! Mas sinceramente, achei que fosse ser mais caro. E pra quem gosta, nem preciso dizer que vale cada penny… Rs).
Quando você compra o ingresso, você precisa agendar a data da sua visita e também o horário. No meu caso, peguei o horário mais cedo que tinha, pra poder ficar o máximo de tempo que eu pudesse lá dentro (a partir do momento que você entra, você pode ficar até o estúdio fechar). Resumindo, entrei 11h30 da manhã e saí às 20h da noite. Can’t help myself.

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Passei um tempo considerável tentando transformar em palavras o que eu senti dentro daquele lugar. Previsivelmente, não consegui. É algo que vai ficar somente dentro de mim, pra sempre. Não consigo descrever o quanto me sinto abençoada por ter tido essa oportunidade… Pode parecer clichê, mas sinceramente, eu não tinha muitas esperanças de que um dia viria a chegar tão perto de algo assim. E apesar de ter tentado aproveitar, registrar na lembrança e em fotografias, o sentimento que eu tive ao ir embora era uma mistura de êxtase e felicidade com um certo vazio… Uma parte de mim tinha a sensação de que eu não vi tudo tão cuidadosamente ou não aproveitei tudo que podia aproveitar. Mas essa é a sensação que a gente tem ao fazer algo que queria tanto, né? Suponho que sim.

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Visivelmente não afetada
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Nasci pra ser Hermione.

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Andando pelo estúdio e vendo o quanto era trabalhoso e quantas pessoas estavam envolvidas na criação de cada um dos oito filmes, me vi relembrando, que quando criança, ao sair do cinema em um dia de estreia de algum dos filmes, aquele sentimento de tristeza tomava conta de mim, e me pegava sempre questionando o por que de demorarem tanto pra lançar o próximo filme. Por que será que aqueles caras gostavam de me torturar tanto?!?! Rs. A gente realmente não imagina o trabalho que é tudo aquilo. E, comentando com a Carlie, uma menina australiana, que como eu, veio de tão longe pra chegar mais perto do que tanto gosta, (o legal é que você encontra e acaba conhecendo várias pessoas com quem pode conversar e debater sobre os assuntos que você gosta, e isso foi uma das minhas coisas favoritas sobre esse dia!) acabou confessando que sentia o mesmo que eu.


E continuamos assim, nos encantando com aquele lugar, que termina com a construção que me maravilhou completamente: Hogwarts. Na sala anterior, vimos toda a arquitetura, os desenhos, maquetes de todos os lugares do castelo. Ficamos de boca aberta com tudo aquilo e com todo aquele trabalho. Aí quando passamos pra próxima sala… foi um choque! Ela tava lá! Linda, linda demais!!!

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Ficamos uns minutos boquiabertas sem acreditar em tamanha perfeição… E mais uma vez (pela 1053, ou 1054, não me lembro ao certo), me emocionei. E a música que tocava, como comentamos uma com a outra, parecia querer aquilo mesmo, fazer com que a gente não conseguisse parar de chorar.

Cresci no meio de livros, fazendo amigos invisíveis em páginas que se desfaziam em pó cujo cheiro ainda conservo nas mãos. ~ Mischief managed.

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Um dia em Bratislava, a capital da Eslováquia

E… finalmente passada a tão temida prova de obstetrícia, a qual estamos aprovadas (🙌), minha roommate e eu resolvemos de um dia pro outro ir pra Eslováquia, um país do leste europeu que faz fronteira com a Hungria.

Bratislava é a capital da Eslováquia e ainda é muito pouco conhecida turisticamente, principalmente pelos brasileiros. Depois da queda do comunismo nos países vizinhos, os residentes da antiga Tchecoslováquia saíram às ruas pedindo o desmembramento deste país e, amigavelmente o país foi dividido em dois: República Tcheca, cuja capital é a belíssima Praga, e Eslováquia, cuja capital é Bratislava. E isto aconteceu num passado muito recente, em 1993.

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Por causa de sua localização, é muito fácil conhecer a Eslováquia, e a sua capital fica a 3 horas de trem ou ônibus de Budapeste. No nosso caso, fomos de ônibus, a opção mais barata. Como Bratislava é pequena, é possível fazer um bate e volta, já que a viagem é rápida e consegue-se facilmente conhecê-la em um dia. Assim, acabamos economizando em hostel, e na minha opinião foi a melhor coisa que eu fiz. O país adotou o euro como moeda, o que facilita bastante a vida dos turistas.

Chegamos a Bratislava em um dia muito nublado de fim de outono, aqueles dias que quando estamos em casa preferimos ficar debaixo das cobertas assistindo a um filme. Mas demos uma sorte grande, pois apesar do frio, não teve chuva.

O centro histórico da cidade – conhecido como Staré Město – é o coração da capital eslovaca e, apesar de pequeno, é o lugar com a maior densidade populacional da capital. No local há muitas lojas, bares, restaurantes, construções medievais, igrejas e artistas de rua. Bratislava é um grande exemplo de que “tamanho não é documento!”. Nessa época as cidades da Europa montam seus “Christmas markets”, o que deixa as praças ainda mais bonitas com toda a decoração natalina que eu amo!

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Bratislavský hrad  – Castelo de Bratislava

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Um dos maiores símbolos da cidade, essa construção de formato retangular e construída no século X fica no alto de uma colina, de onde se tem uma bela vista da cidade e do rio Danúbio.

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No século XVI, Bratislava se tornou a cidade oficial da coroação dos reis húngaros e o castelo passou a ser sua residência. Já em 1811, o castelo foi destruído por um incêndio, ficando em ruínas. Somente em 1956 iniciaram a sua reconstrução, que acabou em 1968.

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Vista do Danúbio de cima do castelo

O castelo é tão grande que, para conseguir uma foto do prédio inteiro, é preciso estar em algum local muito distante, de preferência na outra margem do rio. (Como de praxe, consegui me perder no castelo. Minha marca registrada, só pode. Hahaha)

Katedrála Svätého Martina – Catedral de São Martinho

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Local de coroação de Reis da Hungria entre 1563 e 1830, essa construção do século XII é uma das igrejas mais antigas da capital.

Michalská Brána – Porta de Miguel

Bratislava era rodeada de fortificações medievais e hoje em dia essa é única porta medieval preservada da cidade e um dos poucos resquícios de construções dessa época. Ali fica o marco zero da Eslováquia, ou seja, mostra todas as principais distancias no país e entre os países europeus com a Eslováquia.

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Essa construção foi erguida aproximadamente em 1300 e abriga em sua torre o museu de fortificação medieval e de armas. É impossível passear pelo centro de Bratislava sem passar pela famosa e histórica porta.

Nový most – Ponte nova

Originalmente conhecida como ponte da resistência nacional eslovaca, essa ponte teve seu nome modificado em 1993, quando passou a se chamar ponte nova.

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Essa ponte atravessa o rio Danúbio e chama atenção, porque em uma das suas extremidades fica uma torre com um luxuoso restaurante giratório, uma estação de rádio e uma plataforma de observação, que mais parece um OVNI e por causa do formato de um disco voador foi apelidado de “UFO”. Do alto da torre é possível ter uma vista privilegiada da cidade e pode ter acesso ao local tanto quem vai ao restaurante quanto visitantes.

Estátuas de Bratislava

Fique de olho nas estátuas espalhadas por ali – bem diferentes do que estamos acostumados a ver em cidades europeias, parecem interagir com as pessoas. Fiz uma breve pesquisa e descobri que essas estátuas viraram uma espécie de atração turística, e bastante gente não vai embora de Bratislava sem tirar foto com todas elas!

Você pode se bater, por exemplo, com um personagem conhecido do século XX chamado Schöne Náci, que andava pelas ruas da cidade falando gracinhas para as mulheres.

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Schöne Náci

Tenha também muito cuidado para não tropeçar na cabeça de Čumil, um trabalhador saindo do bueiro. Dizem que ele é apenas um homem comum que gosta das saias das moças.

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Comida típica eslovaca no Slovak Pub

Antes de viajar, sempre pesquiso sobre a cultura do local, pontos turísticos e claro, a comida típica! Procurando na internet os melhores locais para experimentar a comida eslovaca, vi uma boa avaliação do restaurante Slovak Pub ou Slovenská Hréma. Colocamos ele na lista, estive lá e agora vou contar como foi!

O Slovak Pub fica no centro histórico e não é difícil chegar lá a pé. A entrada do restaurante é um pouco escondida, principalmente para quem vai durante a noite. Para ter acesso ao restaurante é preciso subir as escadas e na parte superior haverá outra porta.

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O ambiente é climatizado, ou seja, pode estar fazendo o maior frio na cidade, mas dentro do pub é super bem aquecido! O restaurante é todo de madeira, bem rústico e existem milhares de salões, então já da pra imaginar o tamanho do lugar, né?

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Com esses valores nem parece que estamos na Europa!

Agora vamos ao que interessa, a comida. Uma vez na Eslováquia, optei por provar o prato mais tradicional do país, o Bryndzové halušky, que nada mais é do que um nhoque de batata coberto com um molho de queijo de ovelha chamado de Bryndza com pedaços de bacon. O queijo é bem forte, mas pra mim, que sou louca por queijos, uma maravilha! E pra acompanhar a comilança, pedimos cerveja eslovaca, claro!

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Como deu pra ver, a Bratislava é bem compacta e as principais atrações podem ser vistas em apenas um dia, e o melhor de tudo, sem nenhuma pressa!

Oktoberfest 2015: Vamos para a Alemanha! – De novo –

A festa tradicional alemã reune muita cerveja, música e… cerveja!

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Fui pra Oktoberfest dia 3 de outubro. Sinceramente, nunca foi uma vontade enorme minha ir ao mais famoso festival de cerveja do mundo, mas ele acabou me conquistando, e se tornou um dia inesquecível!

O festival tipicamente alemão começa em setembro e vai até o começo de outubro, portanto, é possível aproveitar nem que seja um tiquinho da comemoração. Em Munique, a Oktoberfest conta com apresentações de dança, música, com uma parada de abertura com os senhorios das principais cervejarias participantes da festa. O desfile tem cerca de 40 minutos, saindo da Sonnenstraße-Schwanthalerstraße até o local da festa.

Os dias seguintes são preenchidos com muito música e mais desfiles, com todos, claro, devidamente trajados com as roupas típicas alemãs, mais de 10 tendas de comes e bebes tradicionais, como a da cerveja Paulaner.

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As cervejas de Munique

Durante a Oktoberfest apenas cervejas de Munique podem ser servidas. As marcas distribuídas são: Augustiner Bräu, Hacker-Pschorr Bräu, Löwenbräu, Paulaner Bräu, Spatenbräu e Staatliches Hofbräu München, todas produzidas em Munique e que possuem o Edito da Pureza.

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Hofbräu München

O que é o Edito da Pureza? “Promulgado em 1485, somente para a cidade de Munique, capital da Baviera, o Edito da Pureza foi assinado no dia 23 de abril de 1516, em Ingolstadt e estabelecia que a produção de cerveja em toda a Baviera estava taxativamente vinculada ao uso dos seguintes ingredientes: cevada, lúpulo e água.” Ter o Edito da Pureza comprova a qualidade da cerveja, o uso de ingredientes realmente bons. “No decorrer dos séculos, essas normas foram adotadas por todos os estados alemães.” Atualmente, depois de anos em vigência e com diversas mudanças no preparo, alguns ingredientes usados são o malte de trigo e o açúcar de cana.

Confesso que até eu, que nunca fui muito fã de cerveja, gostei bastante! Ficamos na tenda da HB (Ir na Oktoberfest e sair seco… isso existe. Cerveja só é servida dentro das tendas e pra quem está nas mesas. Pra quem não reserva mesa ou não aparece por lá cedo, tchau weissbier).

Independente da tenda, a caneca é de litro. E além da lei de pureza da cerveja na Baviera, existe mais uma outra específica da Oktoberfest, que proíbe que ela tenha menos de 6% de álcool. Pode tomar só duas ou três: você vai acabar subindo na mesa pra brindar.

É incrível, principalmente no começo da noite, o que tem de gente vomitando, mas poça de vômito nenhuma no chão. Eficiência continua sendo a marca registrada da Alemanha.

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Comidas deliciosas

Prepare-se para experimentar a culinária bávara, um tiro no pé de todas as dietas! Os pratos são bem substanciosos, ricos em sabores e bem calóricos.

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Munique é uma cidade apaixonante que me surpreendeu em muitos sentidos. Uma das experiências mais legais da viagem foi descobrir mais sobre a Oktoberfest, uma tradição que se mantém há mais de 200 anos e que se tornou um grande símbolo cultural da Bavária. Se você sonha em um dia participar do maior festival da Alemanha, aqui vão algumas dicas pra já ir entrando no clima:

1.      A Oktoberfest começa em setembro

O nome não parece deixar dúvidas, mas a verdade é que a maior parte do “festival de outubro” acontece em setembro! Como regra geral, a festa dura 16 dias e termina no primeiro fim de semana de outubro – mas se o primeiro domingo do mês for dia 1º ou 2, daí a festa segue até o dia 03/10, que é feriado nacional na Alemanha. Sempre há alguns dias com programação especial, incluindo desfiles, salva de tiros, concertos e até missa!

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2.      A Oktoberfest é um grande parque de diversões

Eu sempre ouvi falar das tendas de cerveja, mas foi uma surpresa chegar no parque Theresienwiese e me deparar com barraquinhas de doces, brinquedos, roda gigante, trem fantasma… A Oktoberfest acontece em meio a um enorme parque de diversões! Muita gente leva os filhos para curtir o festival e há inclusive “Family days” às terças-feiras, com desconto para crianças nos tickets dos brinquedos.

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3.      Theresienwiese fica no centro e tem metrô

A Oktoberfest recebe mais de 6 milhões de visitantes por ano, mais que 4 vezes a população da cidade de Munique! Eu poderia jurar que um festival dessa dimensão tivesse que ser feito num lugar bem afastado do centro (mais ou menos como a Cidade do Rock durante o Rock in Rio)… mas não! O parque Theresienwiese (pronuncia-se “terrezian-vize”) fica a 25 minutos a pé da Marienplatz, a praça principal do centro de Munique, e o melhor: a estação de metrô Theresienwiese já sai no meio das barracas e tendas! A entrada no parque é grátis, você só paga o que consumir e os tickets para os brinquedos.

4.      As tendas lotam às 11h da manhã

Nos fins de semana do Oktoberfest, as “beer tents” abrem às 9h da manhã e em apenas 2 horas já estão completamente lotadas. Isso não é pouca coisa: São ao todo 14 tendas com lotação média de 5 mil pessoas cada e outras 20 menores com capacidade de 300 a 400 pessoas. Nos dias de semana, as tendas abrem às 10h e ainda há esperança de conseguir um lugar pra sentar até a hora do almoço – aproveite para experimentar os pratos típicos de carne de porco e salsicha, acompanhados de batatas e pretzels! Leve dinheiro vivo e vá preparado para gastar: as canecas de 1 litro de cerveja custam de € 9,10 a € 9,50 e você paga à garçonete na hora (não se deixa para “fechar a conta” no final). O esforço para entrar nas tendas vale a pena, primeiro porque eles não servem quem está de pé, segundo porque é contagiante ver a galera com as roupas típicas subindo nas mesas para cantar e dançar, ouvir a banda tocar e beber cerveja com gente de toda parte do mundo. Super divertido!

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5.      A Oktoberfest de Munique parece uma Festa Junina

Guardadas as devidas proporções, a Oktoberfest de Munique tem várias semelhanças com uma festa de São João… É um festival popular com brincadeiras, barraquinhas de comida, muita bebida e roupas típicas dos fazendeiros da região – os meninos usam Lederhosen (bermuda e suspensório) e chapéu Tirolerhüte, enquanto as meninas usam o Dirndl (aquele vestido com babados no decote e um “avental” sobre a saia). Se você reparar, a música típica também é uma espécie de sertanejo das antigas – letras engraçadas ou de amor, sonoridade meio cafoninha mas todo mundo sabe cantar e se diverte!

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6.    Tudo começou com uma festa de casamento

O primeiro festival foi realizado na ocasião do casamento de Ludwig I, então príncipe da Bavária, e sua noiva Teresa, em 1810. O parque foi o presente de casamento dele para ela, daí o nome Theresienwiese. Para celebrar o casamento real, eles fizeram uma grande festa para todo o povo da Bavária, com direito a corrida de cavalo e outras atrações. Mais de 180 edições depois, a cerveja servida no festival é feita até hoje com a mesma receita original de 1810 – por isso recebe o nome Oktoberfestbier, e é produzida exclusivamente por cervejarias locais.

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Ein Prosit, ein Prosit
Der Gemütlichkeit!
Ein Prosit, ein Prosit
Der Gemütlichkeit! 🍻

Outono em Praga

Uma das experiências positivas mais marcantes ao se mudar e viver na Europa é a mudança de estação.  O frio parece ter chegado pra valer. E o tempo está muito úmido.

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A sensação de mudança na natureza traz poesia, carrega a metáfora da transformação e da passagem, e para isso a natureza é mestra. E quando eu digo que as estações constroem os alicerces de experiências fantásticas, é porque dela não se ouve voz de burrices, sendo tão simples, comum e tão fácil de presenciar.

Quando o outono chega os parques ficam realmente lindos, a tonalidade de amarelo-marrom-dourado cria uma atmosfera mágica, e quem tem sensibilidade não sai ileso desta beleza.

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Fomos de ônibus pra República Tcheca, pela empresa Student Agency. Não conhecia ainda, e me surpeendi com o atendimento! Ônibus confortável, com Wi-Fi e….. chocolate quente de graça! Muito amor.

Cheguei em Praga dia 30 de outubro já de noitinha, e demos a sorte do nosso hostel ficar ao lado de um restaurante  ótimo chamado Lior, onde quase choramos de alegria ao saber que a cozinha ainda estava aberta. Gordos.
Comecei bem, com uma carne típica maravilhosa e com uma cerveja tradicional tcheca!

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No dia seguinte, de manhã cedo, iríamos visitar o famoso Castelo de Praga e depois a tão esperada por mim John lennon Wall. Já à tarde decidimos, mais uma vez, entrar no esquema do “Free Walking Tour“, que nunca decepciona! Já falei dele por aqui, mas é sempre bom lembrar. Você escolhe em que língua quer seu guia (a maioria é em inglês, mas também quase sempre tem em espanhol) e no local e hora marcados você se junta ao grupo. A ideia é caminhar pela cidade à pé, onde o guia apresentará os principais pontos da cidade, assim como a história do lugar. O passeio é tranquilo, tem várias paradas e você nem nota o tempo passar. Ao final, você dá aquilo que acha justo, inclusive podendo não pagar nada, se não tiver gostado da caminhada. Como eles dizem: We work for tips!

Como em todas as cidades que já visitei na Europa, o transporte público é facilmente acessível e funciona muito bem! Rapidamente chegamos ao Castelo, apesar de um breve momento em que ficamos perdidos (não pode deixar de acontecer em uma viagem, rs). E não posso deixar de citar a simpatia dos tchecos! Ô povo fofo e simpático! – E quase todo mundo fala inglês, glória! –

Vista da maravilhosa Praga, de cima do castelo
Vista da maravilhosa Praga, de cima do castelo
Catedral de São Vito
Catedral de São Vito
Unidos por uma passagem barata ❤
Unidos por uma passagem barata ❤
Mantendo a segurança da cidade
Mantendo a segurança da cidade

Depois da visita ao Castelo, seguimos pra John Lennon Wall, e passamos por um dos maiores símbolos e um dos principais cartões postais de Praga. A Charles Bridge é uma ponte secular – construída em 1357. Com seus 515 metros de comprimento e 10 de largura, ela foi a única ponte de Praga até o ano de 1841.

Charles Bridge
Charles Bridge

A John Lennon Wall não fica longe, e qualquer um que você pergunte na rua sabe te explicar o caminho. Não posso negar que era o que eu mais estava ansiosa pra conhecer em Praga. Sempre achei linda e nunca poderia imaginar que um dia ali estaria eu, em frente a um monumento tão lindo e importante.

Numa parte nobre de Praga, bem pertinho da ponte que é o maior cartão postal da cidade, a Charles Bridge, fica um muro todo grafitado e colorido que contrasta drasticamente com o estilo do centro histórico: a John Lennon Wall. O primeiro desenho naquela parede surgiu no início da década de 80, quando o comunismo soviético já estava bastante desgastado na antiga Tchecoslováquia e o mundo estava comovido com a morte de John Lennon. Era uma imagem do Beatle-ícone-hippie, o que a polícia comunista logo entendeu como uma forma de protesto e vandalismo. Em pouco tempo o desenho já estava coberto de tinta cinza.

John Lennon Wall
John Lennon Wall

O que a polícia não esperava era que outras pessoas começassem a ir lá e pintar o retrato dele de novo. A cada vez que o governo mandava limpar o muro, um novo desenho de Lennon voltava a aparecer. Artista, hippie, ícone da paz, ele simbolizava a liberdade de expressão que os tchecos há mais de 30 anos já não tinham.

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E logo começaram a se acumular mensagens de resistência ao regime, palavras de paz e esperança. No fim daquela década, quando o Muro de Berlim caiu, em 1989, a República Tcheca teve o fim da ditadura comunista também, mas a Lennon Wall continuou. Mais de 30 anos depois, aquela parede rabiscada ainda está lá, não só como um memorial ao Beatle e seus ideais de paz, mas também como uma manifestação pela liberdade de expressão.

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Como está aberta a intervenções, a Lennon Wall nunca é a mesma em duas fotos – há sempre novas pinturas e rabiscos surgindo na parede. Mas entre vários recadinhos de “Fulano esteve aqui” (daqueles que também aparecem o tempo todo no Muro de Berlim) ainda se vê o rosto de John Lennon em algum canto. (Obviamente tive que deixar a minha marquinha, apesar de ter esquecido de levar uma caneta apropriada). E continua sendo engraçado ver trechos das músicas dos Beatles pintados em cores tão contrastantes com a arquitetura clássica de Praga.

Chegar na Lennon Wall não é difícil: Você cruza a Charles Bridge, em direção ao Castelo de Praga, e depois vira à esquerda na rua Lázeňská. Daí você segue por 2 minutinhos, até chegar na Velkopřevorské náměstí (Grand Priory Square). Se quiser uma referência, o muro fica em frente à sede da Embaixada da França.

John Lennon Pub, restaurante/pub temático que fica a poucos metros do muro
John Lennon Pub, restaurante/pub temático que fica a poucos metros do muro

Almoçamos e fomos correndo ao ponto de encontro do Free Walking Tour. Começamos pelo famoso relógio medieval astronômico (e astrológico!) – Orloj.

Orj
Orloj

Em cima do relógio, tem duas janelinhas onde, em determinadas horas do dia, passam os 12 apóstolos. Então, se você notar uma certa aglomeração de pessoas, tenha certeza que logo logo os bonecos irão sair pra fazer seu showzinho.

Passamos pelas cinco áreas principais da cidade: Cidade Velha (Staré Mesto), Cidade Nova (Nové Mesto), Bairro Judeu (Josefov) e Malá Strana. Todas elas podem ser exploradas a pé. Pela história de Praga entende-se que quatro delas – a Cidade Velha, a Nova, Malá Strana e Castelo de Praga – eram pequenas cidades independentes e que foram unificadas em 1748 formando com o Bairro Judeu o que hoje chamamos de Praga.

Num resumo à moda do City tour, tem-se:

Cidade Velha: É o coração da cidade. Seu ponto principal é a Praça da Cidade Velha (Staromestské námestí), a partir de onde foram construídas casas e igrejas, criando um labirinto de ruas estreitas e tortuosas. Há muitas lojas de souvenirs e restaurantes. (E onde fica o relógio astronômico).

Malá Strana: É o lugar mais charmoso da cidade. Fica logo abaixo da colina onde foi construído o Castelo de Praga e hoje abriga a maioria das embaixadas de outros países na República Tcheca. Tem restaurantes descolados, lojinhas mais “cult” e ruelas agradáveis.

Bairro Judeu: Emblemático, como o próprio nome diz. Confesso que estranho um pouco manterem o nome assim, em tempos em que o politicamente correto é não segregar nada nem ninguém. Mas acredito que seja só por questões turísticas, pois o nome em tcheco é Josefov, em homenagem ao Imperador José II que combateu a discriminação, em 1784 (!). Isso mesmo! Ao contrário do que se possa pensar, o bairro não foi separado pelos nazistas. Na Idade Média eles já eram discriminados, sendo constantemente massacrados. Pouca coisa restou dessa época, pois os antigos cortiços do gueto judeu foram demolidos no início do século XX, por questões sanitárias. Restaram algumas relíquias como sinagogas e o cemitério judaico, atrações turísticas de primeira linha.

E esse foi o city tour. Sempre saio desses city tours com a sede de viajar mais! Como é bom conhecer todos esses lugares e suas histórias incríveis…

Mas o dia não acabou. À noite fomos a um restaurante medieval chamado Středověká krčma (Taberna medieval em tcheco). Que lugar incrível! O restaurante possui um ambiente em estilo medieval, apertado, escuro e com garçons que contribuem para criar o clima de taberna. Quando você terminar a sua primeira cerveja, os shows que te levam à era medieval começam. Fora a comida. Pedimos um prato que vinha com costelas (gigantes) de porco, sonho com elas até hoje. Maravilhosas! E a sua única opção é comer com a mão. Melhor impossível.

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No dia seguinte, fomos a uma cidadezinha bem próxima a Praga chamada Kutná Hora, onde se localiza o famoso Ossuário de Sedlec. A Capela dos ossos, como também é conhecida, é artisticamente decorada por mais de 40.000 esqueletos humanos.

Repare no grande lustre de ossos que fica no centro desta capela: o imenso lustre contém todos os ossos do corpo humano.

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Outra obra de arte impressionante é o brasão de armas da família Schwarzenberg, que também é feito de ossos humanos. Os Schwarzenbergs eram membros proeminentes da nobreza da Boêmia e alcançaram o posto de Príncipes do Sacro Império Romano.

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Brasão da família Schwarzenberg

Conta a história que em 1278 o Rei da Boêmia enviou o abade do mosteiro Cisterciens de Sedleč para Jerusalém.

Quando o abade voltou, ele trouxe consigo um frasco do solo de Gólgota, que era conhecido como o “Solo Sagrado”.

Logo as pessoas de todo os lugares desejavam ser enterradas em Sedleč, assim, o cemitério tinha que ser ampliado.
No século XV a capela gótica foi construída do lado do cemitério e seu porão foi utilizado como um ossário.

Os ossos ficaram por lá por séculos, até 1870, quando um entalhador chamado František Rint foi nomeado para colocar os ossos em ordem.

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Ossos artisticamente posicionados

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Além do ossuário, visitamos também a Igreja de Santa Bárbara (Chrám svaté Barbory), uma das igrejas góticas mais famosas da Europa Central, também tombada como Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO.

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Igreja de Santa Bárbara

Dali, caminhamos mais um pouquinho e paramos para um almoço no V Ruthardce, um restaurante muito bacana onde experimentei um prato típico tcheco que tinha um item famoso da cozinha tcheca, o Svickova.
É talvez o molho mais típico para a cozinha tcheca: Molho de natas com lombo. Preparar um bom molho de natas é o desafio até para um cozinheiro experiente. O prato é servido com bolos de massa levedada (knedliky), e mirtilo vermelho.

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Sem a menor dúvida, Praga é uma das cidades mais lindas em que já pisei! Voltei com fotos lindas (muito embora continue acreditando que nem a melhor delas refletiu exatamente a beleza da cidade), e cada vez que revejo as imagens, acabo suspirando! Suspiro com saudade, suspiro de felicidade, suspiro por pensar “Que sorte, já fui ali!”. E por fim, solto um suspiro esperançoso, de “Aaaaaah, mas uma dia eu volto!”…

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A primeira vez a gente nunca esquece (Parte 2) – Berlim

Há quem ame, há quem deteste, há quem é completamente louco por ela (Eu!). A capital alemã pode despertar uma série de emoçōes em cada um de seus visitantes: Curiosidade, interesse, medo, susto, amor, piedade. Senti um mix de tudo isso, e além de tudo, a cidade deixou uma profunda marca em mim.

Depois de 3 dias na linda Viena – e uma Juliana bastante ansiosa -, tinha chegado a hora de partirmos pro nosso principal destino: A histórica Berlim, onde iria acontecer a primeira edição do Lollapalooza na Europa. Chegamos em Berlim no dia 12 de setembro, onde permanecemos até dia 15.

Não posso negar que o Lollapalooza (como um todo), me decepcionou. Talvez por já ter participado de outros festivais, como o Rock in Rio, e até mesmo o Sziget, em Budapeste, achei a edição do Lollapalooza meio parada. Mas o ponto alto do festival foi o show do Muse, que nunca deixa a desejar! Foi o meu segundo show da banda, e parece que, a cada show, aumenta o gostinho de quero mais. Fiquei sabendo de uma turnê pela Europa em 2016… Acho que nos veremos novamente em breve! 😜

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Lollapalooza Berlim

Berlim era um dos lugares que eu sempre sonhei conhecer, por me fascinar por sua história e ter uma vontade enorme de conhecê-la de perto e tentar entendê-la, fora dos livros da escola.

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Feirinha de rua só com coisas antigas! Nem preciso dizer que me apaixonei. Se deixasse, eu ficava o dia todo lá. O resultado disso foram dois cds dos Beatles, um cd do Bob Dylan e um quadro do John Lennon com o David Bowie – Relíquias!!!
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Konzerthaus Berlin – Ópera de Berlim que fica localizada na praça Gendarmenmarkt, no meio das Igrejas Gêmeas
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Alguns dos vários memoriais às vítimas da opressão em Berlim

Confesso que das coisas a ver e fazer em Berlim, o que mais me atiçava era o muro. Ver com meus próprios olhos os vestígios do que foi um dia, o objeto que separava não só fisicamente, mas política, racial e religiosamente o povo de uma mesma cidade. As marcas estão lá, onipresentes, fazendo parte da cidade.

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Nem é preciso entrar em muitos detalhes. A cidade representa uma história dolorosa. Um tapa na cara pra lembrar o quanto as pessoas podem ser ruins, e que apesar de toda a força que a maldade pode ter, sempre haverá esperança, amor e fé.

Foi com essa sensação que conheci Berlim. A cidade é marcada pelo seu passado em todos os lugares, sejam museus, no seu povo, ou nas ruas, pra fazer-se sempre lembrar, mas ao mesmo tempo superar tudo o que acontecera ali.

Após os dois dias de festival, fomos finalmente conhecer a cidade. No primeiro dia andamos por conta própria. Não deu muito certo. Além da chuva e do frio, não conseguimos chegar a todos os lugares que queríamos.

No segundo dia, decidimos participar do “Free Walking Tour”. E foi a melhor coisa que fizemos. Nos free walking tours, podemos conhecer os principais pontos turísticos da cidade com a ajuda de guias (que são viajantes também) jovens que foram parar naquela cidade e se identificaram com ela, que aprenderam muito sobre o lugar e que dominam tanto os fatos históricos quanto as curiosidades que se escondem pelas esquinas. O legal é que esses tours existem em diversas cidades da Europa. Fica a dica! Saiba mais aqui e aqui.

Primeira parada, o famoso cartão postal da cidade: O Portão de Brandemburgo, que antes separava o leste e o oeste da cidade, e passou a ser o maior símbolo da unidade alemã. Está sempre lotado de turistas, e foi o ponto de partida do nosso tour.

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Portão de Brandemburgo

A nossa guia era super engraçada e visivelmente apaixonada por Berlim, o que com certeza contribuiu para que o tour fosse ainda melhor. Ainda no Portão de Brandemburgo, falando sobre o local, ela mencionou o famoso hotel Adlon, onde em 2002, Michael Jackson virou notícia por sacudir seu bebê em uma de suas sacadas. E disse ao final: “Essa é a coisa mais legal que vocês vão ver aqui hoje. Já podem contar pra todo mundo que viram onde Michael Jackson sacudiu seu bebê! Fim do tour.” Levando todos que estavam lá aos risos.

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Hotel Adlon

Visitamos pela primeira vez o Memorial do Holocausto um dia antes do walking tour. Nesse dia não havia sol, chovia e fazia frio, o que contribuiu pra intensidade do que eu senti ao conhecer o lugar.

O Memorial aos Judeus Mortos da Europa, também conhecido por Memorial do Holocausto, é um memorial em Berlim para as vítimas judias do Holocausto, projetado pelo arquiteto Peter Eisenman. Foi construído numa área de 19.000 metros quadrados que antes fazia parte da “faixa da morte” quando o muro de Berlim existia.

O monumento consiste de 2.711 blocos de concreto cinza escuro, quase preto, distribuídos em fileiras paralelas sob uma superfície ondulada. Estes blocos são sóbrios, não contém nenhum texto, nome ou foto. Muitos dos caminhos formados também são ondulados, o que para algumas pessoas causa a sensação de instabilidade. E parece que de fato esta foi a intenção do arquiteto, que no texto do projeto descreveu que os blocos foram desenhados “para produzir uma atmosfera confusa e intranquila, e toda a escultura visa representar um sistema supostamente ordenado que perdeu o contato com a razão humana”.

Eu já sabia que iria me impressionar com o monumento, mas nada se compara a sentir na pele aquela emoção. Sensação indescritível, uma angústia que vai aumentando junto com a infinitude dos blocos.
Como a nossa guia disse no dia seguinte, quando visitei o monumento pela segunda vez, aquele era um momento de reflexão. Não importava a quantidade de blocos existentes, mas sim o que eles representavam pra cada um que visitava o local.

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Memorial do Holocausto

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Chegou a hora de ver os pedaços ainda remanescentes do muro. Berlim é mais uma daquelas cidades que dispensam apresentações. Simplesmente é um dos maiores símbolos da Segunda Guerra Mundial, quando foi dividida em lados oriental e ocidental.

Na primeira vez que se vê os pedaços remanescentes daquele que foi o Muro de Berlim, sente-se o peso da história. O que antes serviu para isolar uma parcela da população, hoje é um espaço que recebe obras de arte de pintores de todo o mundo, a East Side Gallery.

Existe um museu com nome francês, Topographie des Terrors (Topografia do Terror), e é praticamente um museu a céu aberto, e gratuito. Ali, como o próprio nome do museu diz, é o horror estampado com realidade. A localização do museu também não é por acaso. Ali ficava a sede da polícia secreta (Gestapo), e foi ali o local onde muitas das atrocidades cometidas pelos nazistas foram planejadas. Recentemente, em 2010, foi inaugurado o Centro de Documentação do regime nazista, e é possivel ver inúmeras fotos, jornais, videos e áudios em ordem cronológica, da propaganda nazista e que promoviam o mais puro terror. Ficamos ali um bom tempo, até que não aguentei mais e saímos. Ver aquilo chegou a me embrulhar o estômago. Do lado de fora se encontra um dos mais longos trechos do muro original, sem grafitti ou qualquer outra arte, bem diferente da East Side Gallery. Desolador imaginar as pessoas encarando esse muro diariamente…

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Muro de Berlim, Topografia do Terror
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“Mr. Gorbachev, open the gate! …Tear down this wall!” – Famoso discurso de Ronald Reagan, Presidente dos EUA em 1987

Também visitamos o marco Checkpoint Charlie, que era um posto militar na fronteira entre Berlim Ocidental e Oriental durante a Guerra Fria. Se localizava na junção das ruas Friedrichstrasse com Zimmerstrasse e Mauerstrasse, ligando o setor americano com o setor soviético. Após a construção do muro de Berlim, as autoridades da Alemanha Ocidental construíram este posto para servir como um ponto de controle para registrar a passagem de membros das Forças Aliadas e diplomatas estrangeiros entre a Alemanha Ocidental e a Alemanha Oriental.

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A famosa placa

Hoje em dia, o  Checkpoint Charlie é uma das principais atrações de Berlim, sendo visitado por turistas do mundo inteiro. A enorme placa com a frase “Você está deixando o setor americano” é com certeza uma das coisas mais fotografadas de Berlim.

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As pessoas vestidas de soldados que ficam por lá pra tirar fotos com os turistas

Outra visita obrigatória pra quem vai a Berlim é a famosa Torre de TV, a Berliner Fernsehturm. Ela se destaca no horizonte de Berlim, sendo a construção mais alta da Alemanha. Com o ingresso que custa 19,50 euros, é possível subir ao topo e ter a visão mais linda e privilegiada da cidade. Uma boa dica é comprar o bilhete com antecedência e evitar filas. Vá até ela mesmo se não estiver com vontade de subir, pois a torre está localizada na famosa Alexanderplatz.

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Berliner Fernsehturm

A torre de TV deveria ser um prédio que se sobressai de tudo e representa o triunfo do socialismo. A ideia é que a esfera da torre de TV lembrasse o satélite soviético Sputnik e deveria ter a cor vermelha, a cor do socialismo. Entretanto, o arquiteto Bruno Flierl apontou que a cor metálica mostra mais semelhança com o satélite Sputnik, representando assim a superioridade tecnológica dos países socialistas.

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A “bola” se sobressai na paisagem de Berlim

Berlim me encantou do começo ao fim. Desde os seus monumentos encantadores e arrepiantes à sua vontade de se redimir, contar ou mostrar a sua história, assim tentando nos ajudar a não repetí-la.

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Achado na minha cama do hostel… Bem propício! “Wanderlust é uma expressão derivada do alemão: Wandern (caminhar) e Lust (desejo). É comumente definido como um forte desejo de viajar, ou de ter um forte desejo de explorar o mundo.”

 

 

A primeira vez a gente nunca esquece (Parte 1) – Viena

Ainda no Brasil, louca e ansiosa como sou (Risos), consegui convencer a Ane (minha flatmate chata – Bjo, guria! -) a comprar ingressos pro Lollapalooza que ia acontecer pela primeira vez na Europa, em Berlim! (MUSE!!! ❤) E ela topou.
Setembro chegou, a nossa viagem (até então somente pra Berlim) foi se aproximando. Até que a gente resolveu ir pra Viena, na Áustria, antes de ir pra Alemanha, e lá ficamos do dia 9 a 11 de setembro.

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Ansiosa, eu?

Graças à prima linda da Ane, a Aline, conseguimos até um lugar pra ficar em Viena, e economizamos no hostel. Ficamos na casa de uns amigos dela, super gente boa!

Se não fosse toda a majestosidade da cidade, eu diria que o que mais me impressionou em Viena foram as pessoas. Veja bem, pra duas universitárias habituadas com a dureza do dia a dia húngaro (Ok, com a dureza dos próprios húngaros!) se deparar com tanta gente simpática e disposta a ajudar era estranho.

Viena é linda demais pra corações fracos. Cada rua ameaçava um prédio mais bonito e mais clássico. Uma igreja ainda mais imponente. Um palácio novo a espiar. E nós? Nós íamos de canto em canto, tirando fotos, experimentando o ambiente e, obviamente, nos perdendo (me perco com muita frequência, sério).

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Falando da cidade, Viena é realmente encantadora. Começamos pelo distrito 1, aonde, a pé, é possível visitar grande parte dos pontos turísticos.  Do Museumsqartier aos dois grandes museus da cidade: o Kunsthistorisches Museum e o Naturhistorisches Museum (museu da história da arte e museu de ciências naturais, respectivamente), onde fiquei babando pela parte dos dinossauros no museu de ciências naturais. Nerd.

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Museus gêmeos: Kunsthistorisches Museum e Naturhistorisches Museum. Me julguem, mas esqueci qual é qual.
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Interior do Naturhistorisches Museum

Papo vai, papo vem, Viena é muito cara. Pode ser que seja Budapeste extremamente barata. Acho que aí entra um pouco dos dois. Da arte à alimentação, tudo era caro para nós. Viena possui um sistema de transporte tão eficaz quanto (ou talvez ainda mais que) Budapeste. Pode parecer estranho aos nossos olhos, mas simplesmente não há fiscalização. Só fiquei pensando: imagina isso no Rio de Janeiro? Enfim.

A partir dos metrôs chegamos em outros dois palácios icônicos de Viena:  o charmoso Schloß Belvedere e o imponente (e muito afastado) Schloß Schönbrunn. Acho que dá pra perder uma tarde inteirinha só com esses dois. Pra esse roteiro ficar ainda mais completo falta dar uma espiadinha no rio Danúbio, que atravessa, além de Viena e Budapeste, Bratislava, Belgrado e um tanto de outras cidades Europa a fora.

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Schloss Belvedere
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Schloss Schönbrunn
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Schloss Schönbrunn, vista frontal
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Jardim do Schloss Schönbrunn

Pra quem for a Viena, acho que também vale a pena vasculhar um pouquinho a história de uma das personalidades mais carismáticas – e talvez sombrias – da Áustria: A Imperatriz Sissi. Por todo lugar que se vá há inúmeros souvenirs e bugigangas dedicados a ela. Confesso que me apaixonei pela sua história desde que visitei o palácio da família Real em Gödöllő, na Hungria.

Além disso, passamos também pelo apaixonante Hundertwasserhaus (em alemão: casa do Hundertwasser). Hundertwasser é o sobrenome do arquiteto que fez esse prédio residencial. Até visitar Viena, desconhecia de todo a existência do artista.

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Hundertwasserhaus

Mas, depois de conhecer algumas das suas obras, fiquei fã do seu trabalho.

Pode-se dizer que se trata de um artista muito abrangente já que as suas obras incluem Pinturas, tapeçarias, arquitetura, manifestações ecológicas, entre outros. Viena é uma das cidades onde naturalmente se podem encontrar algumas das suas obras arquitetônicas.

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Não é possível ver o apartamento por dentro, claro, mas o prédio em si é bem interessante. Lembra muito a obra do Gaudí, por ser meio doido e colorido. Gente, sério, artista não é quem faz, mas sim, quem interpreta a obra! Olha que frase linda e de efeito: “Lembra muito a obra do Gaudí, por ser meio doido e colorido! Imaginem alguém falando: “Defina Gaudí em 3 palavras”. “Doido, colorido e… e… Espanha?” Sou arte pura!

Fomos também ao Parque de diversões Prater, que é uma das principais atrações turísticas de Viena. É lá onde está o famoso museu de cera “Madame Tussauds” e a roda-gigante mais antiga do mundo, a Wiener Riesenrad.

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Prater

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A Wiener Riesenrad é, basicamente, a London Eye de Viena, porém com um pouquinho mais de história.
Inaugurada em 1897, é a mais antiga roda-gigante do mundo e foi a maior entre os anos de 1920 a 1985. Foi parcialmente destruída durante a segunda guerra e depois reconstruída e até hoje continua sendo parada obrigatória para quem vai a Viena.
A vista de lá de cima é simplesmente sensacional! Vimos a cidade toda do alto. Destaque do passeio na roda: As caras de medo impagáveis da Ane.

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Existem alguns compartimentos para eventos especiais como jantares, happy hours e festas de empresas. Já pensou que chique um jantar romântico a luz de velas ali? Dor de cotovelo.

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De qualquer modo, Viena tem alguma magia particular. Alguma magia que se espalha pela cidade, pelas pessoas e garante uma viagem inesquecível.

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Memories – Impagáveis ❤

 

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Primeira eurotrip!!!

2 down, 10 to go!

Hoje, quando olhei no calendário, me dei conta que já fazem dois meses que me mudei para Budapeste, e se tem uma coisa que eu posso dizer é: Como passou rápido!!!

Agora posso dizer que aquela típica sensação de que tudo isso vai acabar em alguns dias, assim como aquela sensação de “férias” já está passando, e ficando no lugar algo que ainda não sei descrever – completamente. Como se o sentimento estivesse dentro de mim, embrulhadinho em um papel de presente e ainda com um cartão branco escrito “Seu maior sonho”.

Falando assim parece idiotice, mas abrir esse pacote não é tão simples quanto parece. Significa que de alguma forma (e para o meu bem), terei que me desfazer por completo de outros.  No começo tentei não pensar nisso. E principalmente, não escrever sobre isso. Uma maneira que encontrei de me defender dos meus próprios julgamentos – já que eles sempre surgem quando tento transformar o que sinto em textos. Mas quando se tem dificuldade de expor o que sente em palavras ditas, trancar a inspiração não é algo muito saudável. Talvez seja esse o preço que se paga.

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Pois bem, agora estou pronta pra falar – ou pelo menos tentar – escrever sobre isso.

Morar longe de onde nascemos e crescemos (e também de quem amamos) talvez seja um dos maiores desafios da vida. Daqueles que fazem a gente mudar completamente os valores. Ainda é a melhor e mais rápida maneira de amadurecer: Amar, esquecer e crescer.

De uma hora pra outra as coisas que você mais odiava se transformarão nas coisas que você mais sente falta. E as coisas que você sempre teve vontade de fazer, em menos de uma ou duas semanas (em alguns casos meses, vai…), se transformarão em rotina e perderão 80% da graça. Mas ainda assim vale a pena. Mudar é sempre um investimento; seja pra conquistar, encontrar ou compartilhar um sonho.

É quase sempre na solidão que conseguimos sentir nossa verdadeira alma e essência. Isso é meio louco. Porque em alguns momentos achamos que estamos pirando. Não ouvir aquela voz que acalma quando tudo está dando errado. Olhar pro lado e perceber que aquela multidão não passa de um bando de pessoas que não fazem ideia de quem é você.

No começo foi assim, me senti absolutamente sozinha. Chorei algumas vezes no chuveiro e desejei ter algum tipo de poder que tornaria possível trazer todas as pessoas que eu amo pra perto. (Ganhar na loteria também vale). Mas não dá pra cobrar isso da vida. Ela já tem sido tão gentil comigo ultimamente. Sinto até um aperto no peito quando fico triste por saudade. Metade por estar chorando. Outra metade por estar fazendo isso em uma situação onde comparado a grande parte das garotas da minha idade, sou privilegiada – afinal, faço o que eu amo e consigo pagar todas as minhas contas no fim do mês.

Bom, as semanas foram passando, e a correria típica de cidade grande ocupando meus dias. Decorei meu quarto novo. Entrei em alguns cursos – incluindo o de húngaro, que eu tanto queria fazer. Saí com o pessoal. Conheci pessoas que até então não passavam de arrobas. Não aprendi a cozinhar direito, mas descobri o quanto a parte de congelados do supermercado é deliciosa. Mudei a minha noção de distância – perto e longe.

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Por hora não quero pensar nas escolhas que não fiz. Deixo para o próximo mês a tarefa de parar de criar rituais de sofrimento (em outras palavras, stalkear). Parar de ir na Zara toda semana, confiar tanto nas pessoas interesseiras, e por fim, levantar da cama mesmo nos 6°C que tá fazendo e ir caminhar (de preferência não usando o google maps), sem inventar desculpas esfarrapadas.

Buda e Peste: Love at first sight

13 de agosto, primeira noite em Budapeste. Expectativas a mil. Minha cabeça, como sempre, com suas engenhocas incessantes parece querer me fazer fraquejar de medo e receio. Travo uma batalha interna e me recuso. Afinal, o quanto eu lutei pra estar aqui? Quantas noites sem dormir, por buscar forças que me impedissem de desistir. Não era isso que eu queria? Perdi a conta de quantos “tapas mentais” me dei por simplesmente cogitar que fiz a escolha errada.

Minha primeira noite não foi lá das melhores. Tinha tudo pra dar errado e me causar uma péssima primeira impressão de Budapeste. Mas não deu. Budapeste (na verdade Buda e Peste, divididas pelo Danúbio) é simplesmente maravilhosa.

Chegando no hostel reservado pra 5 dias, desagradável surpresa: uma espelunca. E o tal do idioma que eu sonhava aprender, começou a se tornar uma espécie de pesadelo quando a minha única opção foi tentar me comunicar com o estranho senhor da recepção através do Google tradutor. Aí tive a ideia mais sensata que me ocorreu: cancelei toda a reserva e avisei minha família que tudo ia bem – o que não era totalmente mentira. Assim que acordei na manhã seguinte, fui pra casa de uns amigos brasileiros (aos quais vou ser eternamente grata), onde fiquei até encontrar um cantinho pra chamar de meu.

Problemas resolvidos, bora aproveitar o que Peste tinha de melhor. Os lugares mais legais não são necessariamente próximos, mas o sistema de transporte público da cidade funciona muito bem e integra metrô, trem e ônibus.

A minha primeira semana já começou com o Sziget – considerado o maior festival de música da europa, ganhador do prêmio Best Major European Festival 2014 -. Acontece uma vez ao ano aqui em Budapeste na ilha Óbuda, no rio Danúbio, sempre em agosto. Esse ano, o festival contou com shows que foram de Avicii a Kings of Leon (o grande responsável por eu ter comprado o ingresso, confesso).

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Nosso Sziget, por Carol Davin 💃❤

Depois da intensa primeira semana preenchida pelo Sziget, tinha chegado a hora de começar a conhecer pessoalmente tudo aquilo que eu só tinha visto por fotos. E o que eu menos esperava aconteceu: Consegui me apaixonar ainda mais por Budapeste.

Pra começar, um dia inteiro pra vasculhar o centro de Peste. Dá aquela sensação de estar vivo e de que tudo aquilo está vivo também. Aproveitei pra ver o Parlamento, a Praça dos Heróis, a Basílica de São Estevão, uma espiada no Danúbio, a famosa Ponte das Correntes – ponte que liga Peste a Buda -, a Citadella – lugar perfeito para uma vista panorâmica maravilhosa da cidade – e o charmoso Castelo de Vajdahunyad.

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Parlamento húngaro
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Danúbio
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Praça dos Heróis
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Basílica de São Estevão
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Ponte das Correntes
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Citadella
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Castelo de Vajdahunyad

Acho que depois de tudo isso, pelo menos um dia tem que ser deixado pra conhecer Buda. Bem, Buda não é nenhuma badalação ou centro comercial como Peste. É aí que está a graça. Buda é histórica e meio medieval. É única e encantadora. Tão diferente e tão próxima de sua irmã Peste. A entrada em Buda foi pelo metrô, mas fiz questão de desbravar a pé. São inúmeros os pontos turísticos pelo caminho. Mirantes maravilhosos, lojinhas de souvenirs, a Igreja Matthias, o Bastião dos Pescadores e finalmente o incrível Castelo de Buda (sim, aquele do clipe da Katy Perry).

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Igreja Matthias
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Castelo de Buda
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Bastião dos Pescadores

Agora falando de nightlife, a vida noturna de Peste exige ser desbravada, independente do dia da semana que for. Destaque para os “Ruin pubs” (pubs em ruínas),  que são um dos principais motivos da capital da Hungria ser um dos meus lugares favoritos. Não são bares comuns que você encontra em qualquer esquina. São lugares cheios de história e cultura.

Tudo teve origem na  Segunda Guerra Mundial, quando foi construído o distrito judeu de Budapeste, gueto onde vivia parte população judia que não havia sido mandada para campos de concentração. Mesmo com o fim da guerra, o distrito não teve muita atenção ou investimento do governo: as casas abandonadas e em mal estado acabaram sendo usadas para realocar a população romana desabrigada da cidade.

Já no nosso século, em 2001, o lugar passou a receber eventos culturais pontuais nos prédios abandonados e em ruínas. Esse foi o pontapé inicial para o surgimento dos pubs em ruínas. Mas, enfim, o que tem de tão diferente em tais bares? Chamados literalmente de “bares ruínas”, em húngaro “romkocsma”, são bares cujos prédios estavam em estado decadente e que são decorados com o que estava lá dentro: itens abandonados e móveis vintage, sendo que a disposição de tais objetos nem sempre faz sentido.

Além disso, os romkocsma também transformaram o cenário do distrito judeu, uma vez que a partir de sua popularidade foram surgindo gradualmente outros bares, cafés, restaurantes, confeitarias, boutiques e, claro, vários pubs em ruínas. Atualmente, o  bairro é descolado, “trendy”, e cheio de gente nas ruas a qualquer hora.

O primeiro bar desse tipo a abrir em Budapeste foi o Szimpla, localizado em uma das principais ruas do distrito judeu, que em qualquer horário é super movimentada. Aberto todos os dias da semana, de meio-dia até as três da manhã, está sempre cheio de gente, principalmente turistas, exprime o “tipo ideal” de ruin pub e tem uma área aberta com mesas bizarras de madeira, bar de vinhos, banheiras e filmes projetados na parede. O bar é tão grande que eu sempre ficava perdida ao mudar de uma área para outra. Semanalmente, eles oferecem eventos culturais relacionados a temas variados, como música, cinema, culinária, dentre outros.

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Um dos bares do Szimpla

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Fachada do Szimpla

Outra coisa imperdível para quem colocar os dois pés em território húngaro é experimentar a tradicional Pálinka, bebida forte idolatrada por húngaros de todas as classes sociais. Minha primeira experiência com a Pálinka foi complicada. Acabei pegando a dose dupla (só notei na hora de pagar) e, fraca como sou, achei horrível. Depois provei de novo e acabei gostando. Destaque para a Pálinka de maçã e de pêssego.

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Pálinka

Acho que deu pra sentir pelo meu texto que Budapeste foi paixão à primeira vista. Que vai aumentando e se concretizando a cada dia que se inicia, sempre me levando a uma história nova pra conhecer, um monumento incrível a me deparar ou um caminho diferente pra percorrer, me conquistando cada vez mais. Truque de Budapeste para me seduzir, tenho certeza.

Começo

Esse é o diário de viagem de uma intercambista do Ciência Sem Fronteiras. Espero que tirem algum proveito das minhas histórias (todas reais) e que se inspirem um pouco nessa maravilha que é viajar.

O começo de tudo isso foi em Agosto de 2014. Fazer um intercâmbio sempre foi um sonho, que parecia distante. Foi minha professora de inglês que botou aquela pressão pra que eu fizesse logo a tal inscrição pro programa. Bem, resolvi fazer. No fim não tinha nada a perder, tinha?

No meio de vários países diferentes, algo na Hungria me chamou atenção. Por quê? Não sei. Tinha que ser Europa. Tinha que ser algo diferente. Acabou que o edital aceitava apenas domínio do idioma inglês e eu, toda boba, achei que ia ser uma chance de aprender um idioma novo (e que idioma, diga-se de passagem).

Certa vez, em uma das minhas milhares de visitas ao Google pra descobrir um pouco mais sobre a Hungria, me deparei com o livro “Budapeste”, de Chico Buarque. Era como se ele, o autor, me conhecesse e soubesse que eu iria passar por aquele sobressalto de querer aprender, sem razão e quase de forma obsessiva, aquela que “segundo as más-línguas, é a única língua do mundo que o diabo respeita”. Aquele arranque do livro era eu naquele momento a querer desbravar uma língua nova apenas porque me apaixonei pela sua sonoridade. E quando mais ninguém compreendia, Chico Buarque de Hollanda sabia, conhecia, e soube descrever a minha angústia. É o feitiço da língua húngara.

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Sem a mínima noção do aspecto, da estrutura, do corpo, mesmo das palavras, eu não tinha como saber onde cada palavra começava e até onde ia. Era impossível destacar uma palavra da outra, seria como pretender cortar um rio com uma faca. Aos meus ouvidos, o húngaro poderia ser mesmo uma língua sem emendas, não constituída de palavras, mas que se desse a conhecer só por inteiro.

A inscrição deu algum trabalho, as burocracias encheram o saco e o que eu menos esperava aconteceu: Passei. Estou aqui, na Hungria, há exatos 1 mês e 24 dias, matriculada na Szent István University pra cursar um ano de Medicina Veterinária. E é esse o relato que vou contando, aos poucos, pra vocês.

Tirem seus sapatos, fiquem confortáveis e venham desbravar a Europa (quem sabe o mundo!) comigo.