I dreamed a dream

Capítulo 1 – O menino que sobreviveu ⠀
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-Boa sorte, Harry – murmurou ele. Girou nos calcanhares e, com um movimento da capa, desapareceu. ⠀ ⠀
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Uma brisa arrepiou as cercas bem cuidadas da rua dos Alfeneiros, silenciosa e quieta sob o negro do céu, o último lugar do mundo em que alguém esperaria que acontecessem coisas espantosas. ⠀
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Harry Potter virou-se dentro dos cobertores sem acordar. Sua mãozinha agarrou a carta ao lado mas ele continuou a dormir, sem saber que era especial, sem saber que era famoso, sem saber que iria acordar dentro de poucas horas com o grito da Sra. Dursley ao abrir a porta da frente para pôr as garrafas de leite do lado de fora, nem que passaria as próximas semanas levando cutucadas e beliscões do primo Duda… ele não podia saber que, neste mesmo instante, haviam pessoas se reunindo em segredo em todo o país que erguiam os copos e diziam com vozes abafadas: ⠀
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-A Harry Potter: O menino que sobreviveu! ⠀⠀ ⠀

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Prometo não fazer desse post totalmente sobre Harry Potter, mas não posso mentir que será pelo menos uns 80%. Quem me conhece a vida inteira sabe do que eu to falando. Pra quem tá me conhecendo agora, talvez seja um pouquinho difícil de explicar… ou talvez difícil de entender. Sim. Eu cresci nesse mundo, que uma das minhas pessoas favoritas – a JK Rowling – criou. E que faz parte de mim há pelo menos 14 anos.

Londres sempre esteve em um pedestal pra mim. Sempre foi mais que simplesmente o famoso Big Ben, a cabine telefônica vermelha ou a London Eye. Como eu sonhei em conhecer, e em alguns (tá, vários) momentos em morar naquele lugar que eu conhecia somente por livros e filmes. Desde o começo, eu sempre associei Harry Potter a Londres e, mesmo agora, depois da minha visita, continuo o fazendo mesmo que involuntariamente, e ainda mais intensamente.

Estar em Londres foi poder ver com meus próprios olhos alguns dos lugares que a JK Rowling frequentava e que a inspiraram na criação desse mundo que eu tanto amo, e andar por essas ruazinhas de Londres me dava a impressão de que eu já conhecia aquele lugar, que era tão familiar pra mim.

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Em uma parte do walking tour, o guia (que eu já considerei pakas quando a primeira coisa a mencionar foi: “Alguém aqui gosta de Harry Potter?” EU EU EU!!!!!) nos levou a um beco em que a JK Rowling se inspirou para criar a “Travessa do Tranco”, ou originalmente a Knockturn Alley, que fica no Beco Diagonal e é onde se encontram lojas que se dedicam às Artes das Trevas, como a Borgin & Burke. E logo ao lado dessa rua, nosso guia apontou para um lugar em que a JK Rowling teria dito ser uma de suas ruas preferidas em Londres – O que coincidentemente serviu de inspiração para um set do Beco Diagonal nos filmes. Eu fiquei tão encantada com tudo aquilo, pra mim era tudo muito real.

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Rua que serviu de inspiração pra Travessa do Tranco

Fiquei meio louca em Londres, porque era MUITA coisa que eu queria ver e fazer em tão pouco tempo (fui dia 03 de dezembro, e meu voo de volta já era dia 6, no domingo, pela manhã). Então aqui vão algumas dicas pra quem tá planejando ir, e tentar aproveitar ao máximo o tempo da viagem.

1) Adquira um Oyster Card

O melhor amigo de quem vai a Londres é o Oyster Card. Além de ajudá-lo a economizar umas librinhas no transporte público (a passagem é mais barata para os usuários do cartão), ele dá desconto em meios de transporte alternativos – e ainda por cima agiliza, e muito, sua vida lá. Já pensou ter que comprar passagem toda vez que for andar de metrô/ônibus/trem? Tá louco, é muita perda de tempo).

O Oyster custa 5 libras (que podem ser devolvidas quando você não for mais utilizar o cartão, é só ir em uma das máquinas e trocar) e pode ser adquirido nas estações de metrô, em algumas lojinhas autorizadas ou pela internet (aqui). A carinha dele é essa, ó:

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2) Não se prenda demais aos roteiros

Ter um planejamento dos seus dias em Londres é essencial para aproveitar bem tudo que a cidade tem a oferecer. Porém, contudo, entretanto, você pode deixar de aproveitar surpresas encantadoras se SÓ fizer o que está no seu roteiro.

Por mais que você tenha pesquisado muito antes de ir, que tenha lido todos os excelentes blogs sobre Londres, tenha uma coisa em mente: é impossível conhecer TUDO sobre esta cidade, mas se você se soltar um pouquinho dos roteiros pode conhecer mais do que poderia sonhar, e ainda pode se surpreender…

Minha dica nesse sentido é: vai ver o Big Ben? Ok, mas não veja só ele “por ali”. Ah, e vá além do combo Big Ben + London Eye + Westminster Abbey, também. Ande pela região, mas ande mesmo; ande muito. Acredite, voltei com os pés doendo como nunca doeram na vida! E não me arrependo de nenhum segundinho. Dê uma olhadinha em um mapa desses de rua (tem vários espalhados pelo centro!), escolha um lado e simplesmente vá andando para descobrir novas ruas, parques, igrejas… coisas bonitas. Vai valer a pena. Você vai ver!

Ah, outra coisa: também é bacana curtir a cidade em diferentes momentos do dia. Manhã, tarde e noite apresentam Londres completamente diferente. Por isso, bata perna de cedinho até de noitão. Você vai ver como é incrível a diferença de “clima” em um mesmo lugar simplesmente com o cair do dia…

3) Determine sua agenda do dia com a ajuda de um mapa

Enquanto estamos planejando uma viagem é normal que anotemos uma dica de uma atração aqui, outra ali, mais uma acolá e no fim “espalhe” tudo entre os dias que se tem para curtir aquele destino. Só que nessa, às vezes não nos damos conta de que pode ser que a atração “A”, que você viu no blog “1” e programou visitar no primeiro dia da viagem na real está quase colaaaada com a atração “B”, que você viu no blog “2” e que planeja conhecer no segundo dia da viagem. E aí você perde tempo e até mesmo perde a chance de explorar melhor uma região bem bacana da cidade.

O que eu quero dizer com isso é simples: Tenha um mapa em mãos na hora de definir sua programação em Londres (e também na hora de rodar por lá). Você vai entender, por exemplo, que em um único dia dá para curtir Big Ben, London Eye, Westminster Abbey e ir a pé até Trafalgar Square, Leicester Square, Covent Garden, etc. etc. etc. – Isso se você estiver disposto a acordar cedo e bater perna o dia todo, claro.

Quando além do mapa você tem um GPS (no celular ou no tablet) a vida fica ainda mais fácil. Você consegue elaborar uma rota bacaninha e programar seus passos antes de sair pra rua (Foi o que me ajudou bastante, principalmente na minha ida à Abbey Road).

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Metrô da Inglaterra

Mas, ó, nunca se esqueça da dica 2: não se prenda demais aos roteiros. Mesmo que esteja tudo planejadinho, vez ou outra fuja da rota, entre em uma rua que parece legal, aventure-se em um restaurantezinho que chamou sua atenção e curta Londres da SUA maneira. Aliás, essa é a dica 4…

4) Não faça o que os outros querem, faça o que VOCÊ quer

Odeia museus, mas todo mundo diz que teeeem que conhecer o British Museum enquanto estiver em Londres? Não vá. Você vai achar um porre e vai ter perdido um precioso tempo.

Tem pavor de roda gigante, mas todo mundo diz que a London Eye vale a pena, porque mostra uma vista linda da cidade? Não vá, você vai ficar irritado. Mas se quiser ver Londres do alto busque alternativas que tenham mais seu perfil.

Eu, por exemplo, não podia me imaginar em hipótese alguma indo a Londres e não conhecendo a famosa Abbey Road, como fã dos Beatles que sou. Acabei indo no meu último dia lá, sozinha mesmo. Olhei no mapa qual era o melhor meio de chegar lá, que não é tãão no centro da cidade, e fui. Acabou que não peguei a melhor rota, achei que não fosse achar o lugar e tive que andar bastante! Mas não me arrependo nem um pouquinho! Esses são os melhores momentos da sua viagem, quando você acha que algo não vai dar certo e acaba se encontrando. São as melhores experiências que alguém pode ter.

Enfim, faça o roteiro de acordo com os SEUS gostos. Não se importe se depois alguém falar “Credo, mas ele só ficou estirado em gramados de parques em Londres”, ou “Nossa, ela foi pra Londres e só queria saber de rezar, que beata”. Se você fez isso e foi feliz lá, ponto pra você, ora bolas. 🙂

Claro claro que dar uma espiadinha no Big Ben (nem que seja por cinco segundos) e no Buckingham Palace é meio que obrigação, mas você não precisa pagar pra entrar se não quiser, então não será perda de tempo. Garanto.

Voltando ao assunto inicial… (Risos). Estava contando os dias pra que esse bendito dia 04 de dezembro chegasse e eu finalmente pudesse conhecer toda a real magia por trás dos filmes que deram vida à minha saga favorita.

Pra ir ao estúdio da Warner Bros, você precisa comprar o ingresso no site, que custa 33 libras (Ouch! Mas sinceramente, achei que fosse ser mais caro. E pra quem gosta, nem preciso dizer que vale cada penny… Rs).
Quando você compra o ingresso, você precisa agendar a data da sua visita e também o horário. No meu caso, peguei o horário mais cedo que tinha, pra poder ficar o máximo de tempo que eu pudesse lá dentro (a partir do momento que você entra, você pode ficar até o estúdio fechar). Resumindo, entrei 11h30 da manhã e saí às 20h da noite. Can’t help myself.

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Passei um tempo considerável tentando transformar em palavras o que eu senti dentro daquele lugar. Previsivelmente, não consegui. É algo que vai ficar somente dentro de mim, pra sempre. Não consigo descrever o quanto me sinto abençoada por ter tido essa oportunidade… Pode parecer clichê, mas sinceramente, eu não tinha muitas esperanças de que um dia viria a chegar tão perto de algo assim. E apesar de ter tentado aproveitar, registrar na lembrança e em fotografias, o sentimento que eu tive ao ir embora era uma mistura de êxtase e felicidade com um certo vazio… Uma parte de mim tinha a sensação de que eu não vi tudo tão cuidadosamente ou não aproveitei tudo que podia aproveitar. Mas essa é a sensação que a gente tem ao fazer algo que queria tanto, né? Suponho que sim.

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Visivelmente não afetada
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Nasci pra ser Hermione.

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Andando pelo estúdio e vendo o quanto era trabalhoso e quantas pessoas estavam envolvidas na criação de cada um dos oito filmes, me vi relembrando, que quando criança, ao sair do cinema em um dia de estreia de algum dos filmes, aquele sentimento de tristeza tomava conta de mim, e me pegava sempre questionando o por que de demorarem tanto pra lançar o próximo filme. Por que será que aqueles caras gostavam de me torturar tanto?!?! Rs. A gente realmente não imagina o trabalho que é tudo aquilo. E, comentando com a Carlie, uma menina australiana, que como eu, veio de tão longe pra chegar mais perto do que tanto gosta, (o legal é que você encontra e acaba conhecendo várias pessoas com quem pode conversar e debater sobre os assuntos que você gosta, e isso foi uma das minhas coisas favoritas sobre esse dia!) acabou confessando que sentia o mesmo que eu.


E continuamos assim, nos encantando com aquele lugar, que termina com a construção que me maravilhou completamente: Hogwarts. Na sala anterior, vimos toda a arquitetura, os desenhos, maquetes de todos os lugares do castelo. Ficamos de boca aberta com tudo aquilo e com todo aquele trabalho. Aí quando passamos pra próxima sala… foi um choque! Ela tava lá! Linda, linda demais!!!

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Ficamos uns minutos boquiabertas sem acreditar em tamanha perfeição… E mais uma vez (pela 1053, ou 1054, não me lembro ao certo), me emocionei. E a música que tocava, como comentamos uma com a outra, parecia querer aquilo mesmo, fazer com que a gente não conseguisse parar de chorar.

Cresci no meio de livros, fazendo amigos invisíveis em páginas que se desfaziam em pó cujo cheiro ainda conservo nas mãos. ~ Mischief managed.

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2 comentários sobre “I dreamed a dream

  1. Fiquei apaixonada! Amei suas dicas e vou logo arrumar um mapa p/ não perder tempo. Vou ficar em Paddington e quero aproveitar tudo o que der em 3 dias também! Vou nem falar que fiquei babando com as fotos, todas incríveis!
    Não vejo a hora de ir no estúdio de HP ❤
    Me ajudou muuuuito!

    Curtido por 1 pessoa

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