A primeira vez a gente nunca esquece (Parte 2) – Berlim

Há quem ame, há quem deteste, há quem é completamente louco por ela (Eu!). A capital alemã pode despertar uma série de emoçōes em cada um de seus visitantes: Curiosidade, interesse, medo, susto, amor, piedade. Senti um mix de tudo isso, e além de tudo, a cidade deixou uma profunda marca em mim.

Depois de 3 dias na linda Viena – e uma Juliana bastante ansiosa -, tinha chegado a hora de partirmos pro nosso principal destino: A histórica Berlim, onde iria acontecer a primeira edição do Lollapalooza na Europa. Chegamos em Berlim no dia 12 de setembro, onde permanecemos até dia 15.

Não posso negar que o Lollapalooza (como um todo), me decepcionou. Talvez por já ter participado de outros festivais, como o Rock in Rio, e até mesmo o Sziget, em Budapeste, achei a edição do Lollapalooza meio parada. Mas o ponto alto do festival foi o show do Muse, que nunca deixa a desejar! Foi o meu segundo show da banda, e parece que, a cada show, aumenta o gostinho de quero mais. Fiquei sabendo de uma turnê pela Europa em 2016… Acho que nos veremos novamente em breve! 😜

20980808594_27b6c16d8d_o
Lollapalooza Berlim

Berlim era um dos lugares que eu sempre sonhei conhecer, por me fascinar por sua história e ter uma vontade enorme de conhecê-la de perto e tentar entendê-la, fora dos livros da escola.

20981512493_903d11ce86_o
Feirinha de rua só com coisas antigas! Nem preciso dizer que me apaixonei. Se deixasse, eu ficava o dia todo lá. O resultado disso foram dois cds dos Beatles, um cd do Bob Dylan e um quadro do John Lennon com o David Bowie – Relíquias!!!
21419184320_5615774be6_o
Konzerthaus Berlin – Ópera de Berlim que fica localizada na praça Gendarmenmarkt, no meio das Igrejas Gêmeas
21415868189_808983d383_o
Alguns dos vários memoriais às vítimas da opressão em Berlim

Confesso que das coisas a ver e fazer em Berlim, o que mais me atiçava era o muro. Ver com meus próprios olhos os vestígios do que foi um dia, o objeto que separava não só fisicamente, mas política, racial e religiosamente o povo de uma mesma cidade. As marcas estão lá, onipresentes, fazendo parte da cidade.

21420161689_24804f15d9_o
Nem é preciso entrar em muitos detalhes. A cidade representa uma história dolorosa. Um tapa na cara pra lembrar o quanto as pessoas podem ser ruins, e que apesar de toda a força que a maldade pode ter, sempre haverá esperança, amor e fé.

Foi com essa sensação que conheci Berlim. A cidade é marcada pelo seu passado em todos os lugares, sejam museus, no seu povo, ou nas ruas, pra fazer-se sempre lembrar, mas ao mesmo tempo superar tudo o que acontecera ali.

Após os dois dias de festival, fomos finalmente conhecer a cidade. No primeiro dia andamos por conta própria. Não deu muito certo. Além da chuva e do frio, não conseguimos chegar a todos os lugares que queríamos.

No segundo dia, decidimos participar do “Free Walking Tour”. E foi a melhor coisa que fizemos. Nos free walking tours, podemos conhecer os principais pontos turísticos da cidade com a ajuda de guias (que são viajantes também) jovens que foram parar naquela cidade e se identificaram com ela, que aprenderam muito sobre o lugar e que dominam tanto os fatos históricos quanto as curiosidades que se escondem pelas esquinas. O legal é que esses tours existem em diversas cidades da Europa. Fica a dica! Saiba mais aqui e aqui.

Primeira parada, o famoso cartão postal da cidade: O Portão de Brandemburgo, que antes separava o leste e o oeste da cidade, e passou a ser o maior símbolo da unidade alemã. Está sempre lotado de turistas, e foi o ponto de partida do nosso tour.

21591428642_59b798235f_o
Portão de Brandemburgo

A nossa guia era super engraçada e visivelmente apaixonada por Berlim, o que com certeza contribuiu para que o tour fosse ainda melhor. Ainda no Portão de Brandemburgo, falando sobre o local, ela mencionou o famoso hotel Adlon, onde em 2002, Michael Jackson virou notícia por sacudir seu bebê em uma de suas sacadas. E disse ao final: “Essa é a coisa mais legal que vocês vão ver aqui hoje. Já podem contar pra todo mundo que viram onde Michael Jackson sacudiu seu bebê! Fim do tour.” Levando todos que estavam lá aos risos.

21611559631_37b77caa78_o.jpg
Hotel Adlon

Visitamos pela primeira vez o Memorial do Holocausto um dia antes do walking tour. Nesse dia não havia sol, chovia e fazia frio, o que contribuiu pra intensidade do que eu senti ao conhecer o lugar.

O Memorial aos Judeus Mortos da Europa, também conhecido por Memorial do Holocausto, é um memorial em Berlim para as vítimas judias do Holocausto, projetado pelo arquiteto Peter Eisenman. Foi construído numa área de 19.000 metros quadrados que antes fazia parte da “faixa da morte” quando o muro de Berlim existia.

O monumento consiste de 2.711 blocos de concreto cinza escuro, quase preto, distribuídos em fileiras paralelas sob uma superfície ondulada. Estes blocos são sóbrios, não contém nenhum texto, nome ou foto. Muitos dos caminhos formados também são ondulados, o que para algumas pessoas causa a sensação de instabilidade. E parece que de fato esta foi a intenção do arquiteto, que no texto do projeto descreveu que os blocos foram desenhados “para produzir uma atmosfera confusa e intranquila, e toda a escultura visa representar um sistema supostamente ordenado que perdeu o contato com a razão humana”.

Eu já sabia que iria me impressionar com o monumento, mas nada se compara a sentir na pele aquela emoção. Sensação indescritível, uma angústia que vai aumentando junto com a infinitude dos blocos.
Como a nossa guia disse no dia seguinte, quando visitei o monumento pela segunda vez, aquele era um momento de reflexão. Não importava a quantidade de blocos existentes, mas sim o que eles representavam pra cada um que visitava o local.

20985378083_aa2c155f66_o.jpg
Memorial do Holocausto

20983927704_0c3c73c766_o.jpg

Chegou a hora de ver os pedaços ainda remanescentes do muro. Berlim é mais uma daquelas cidades que dispensam apresentações. Simplesmente é um dos maiores símbolos da Segunda Guerra Mundial, quando foi dividida em lados oriental e ocidental.

Na primeira vez que se vê os pedaços remanescentes daquele que foi o Muro de Berlim, sente-se o peso da história. O que antes serviu para isolar uma parcela da população, hoje é um espaço que recebe obras de arte de pintores de todo o mundo, a East Side Gallery.

Existe um museu com nome francês, Topographie des Terrors (Topografia do Terror), e é praticamente um museu a céu aberto, e gratuito. Ali, como o próprio nome do museu diz, é o horror estampado com realidade. A localização do museu também não é por acaso. Ali ficava a sede da polícia secreta (Gestapo), e foi ali o local onde muitas das atrocidades cometidas pelos nazistas foram planejadas. Recentemente, em 2010, foi inaugurado o Centro de Documentação do regime nazista, e é possivel ver inúmeras fotos, jornais, videos e áudios em ordem cronológica, da propaganda nazista e que promoviam o mais puro terror. Ficamos ali um bom tempo, até que não aguentei mais e saímos. Ver aquilo chegou a me embrulhar o estômago. Do lado de fora se encontra um dos mais longos trechos do muro original, sem grafitti ou qualquer outra arte, bem diferente da East Side Gallery. Desolador imaginar as pessoas encarando esse muro diariamente…

20985731133_83cb7084f0_o
Muro de Berlim, Topografia do Terror
21580304176_598d0c424c_o.jpg
“Mr. Gorbachev, open the gate! …Tear down this wall!” – Famoso discurso de Ronald Reagan, Presidente dos EUA em 1987

Também visitamos o marco Checkpoint Charlie, que era um posto militar na fronteira entre Berlim Ocidental e Oriental durante a Guerra Fria. Se localizava na junção das ruas Friedrichstrasse com Zimmerstrasse e Mauerstrasse, ligando o setor americano com o setor soviético. Após a construção do muro de Berlim, as autoridades da Alemanha Ocidental construíram este posto para servir como um ponto de controle para registrar a passagem de membros das Forças Aliadas e diplomatas estrangeiros entre a Alemanha Ocidental e a Alemanha Oriental.

20984201564_ecf44bbd90_o.jpg

mauer41.jpg
A famosa placa

Hoje em dia, o  Checkpoint Charlie é uma das principais atrações de Berlim, sendo visitado por turistas do mundo inteiro. A enorme placa com a frase “Você está deixando o setor americano” é com certeza uma das coisas mais fotografadas de Berlim.

20984212414_aa19112838_o.jpg
As pessoas vestidas de soldados que ficam por lá pra tirar fotos com os turistas

Outra visita obrigatória pra quem vai a Berlim é a famosa Torre de TV, a Berliner Fernsehturm. Ela se destaca no horizonte de Berlim, sendo a construção mais alta da Alemanha. Com o ingresso que custa 19,50 euros, é possível subir ao topo e ter a visão mais linda e privilegiada da cidade. Uma boa dica é comprar o bilhete com antecedência e evitar filas. Vá até ela mesmo se não estiver com vontade de subir, pois a torre está localizada na famosa Alexanderplatz.

21418261848_7a3397e2f4_o.jpg
Berliner Fernsehturm

A torre de TV deveria ser um prédio que se sobressai de tudo e representa o triunfo do socialismo. A ideia é que a esfera da torre de TV lembrasse o satélite soviético Sputnik e deveria ter a cor vermelha, a cor do socialismo. Entretanto, o arquiteto Bruno Flierl apontou que a cor metálica mostra mais semelhança com o satélite Sputnik, representando assim a superioridade tecnológica dos países socialistas.

Fernsehturm_VistaLonge.jpg
A “bola” se sobressai na paisagem de Berlim

Berlim me encantou do começo ao fim. Desde os seus monumentos encantadores e arrepiantes à sua vontade de se redimir, contar ou mostrar a sua história, assim tentando nos ajudar a não repetí-la.

21415640120_f5d4fa9c3d_o.jpg
Achado na minha cama do hostel… Bem propício! “Wanderlust é uma expressão derivada do alemão: Wandern (caminhar) e Lust (desejo). É comumente definido como um forte desejo de viajar, ou de ter um forte desejo de explorar o mundo.”

 

 

Anúncios

2 comentários sobre “A primeira vez a gente nunca esquece (Parte 2) – Berlim

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s