2 down, 10 to go!

Hoje, quando olhei no calendário, me dei conta que já fazem dois meses que me mudei para Budapeste, e se tem uma coisa que eu posso dizer é: Como passou rápido!!!

Agora posso dizer que aquela típica sensação de que tudo isso vai acabar em alguns dias, assim como aquela sensação de “férias” já está passando, e ficando no lugar algo que ainda não sei descrever – completamente. Como se o sentimento estivesse dentro de mim, embrulhadinho em um papel de presente e ainda com um cartão branco escrito “Seu maior sonho”.

Falando assim parece idiotice, mas abrir esse pacote não é tão simples quanto parece. Significa que de alguma forma (e para o meu bem), terei que me desfazer por completo de outros.  No começo tentei não pensar nisso. E principalmente, não escrever sobre isso. Uma maneira que encontrei de me defender dos meus próprios julgamentos – já que eles sempre surgem quando tento transformar o que sinto em textos. Mas quando se tem dificuldade de expor o que sente em palavras ditas, trancar a inspiração não é algo muito saudável. Talvez seja esse o preço que se paga.

Life_begins_at_the_end_of_your_comfort_zone

Pois bem, agora estou pronta pra falar – ou pelo menos tentar – escrever sobre isso.

Morar longe de onde nascemos e crescemos (e também de quem amamos) talvez seja um dos maiores desafios da vida. Daqueles que fazem a gente mudar completamente os valores. Ainda é a melhor e mais rápida maneira de amadurecer: Amar, esquecer e crescer.

De uma hora pra outra as coisas que você mais odiava se transformarão nas coisas que você mais sente falta. E as coisas que você sempre teve vontade de fazer, em menos de uma ou duas semanas (em alguns casos meses, vai…), se transformarão em rotina e perderão 80% da graça. Mas ainda assim vale a pena. Mudar é sempre um investimento; seja pra conquistar, encontrar ou compartilhar um sonho.

É quase sempre na solidão que conseguimos sentir nossa verdadeira alma e essência. Isso é meio louco. Porque em alguns momentos achamos que estamos pirando. Não ouvir aquela voz que acalma quando tudo está dando errado. Olhar pro lado e perceber que aquela multidão não passa de um bando de pessoas que não fazem ideia de quem é você.

No começo foi assim, me senti absolutamente sozinha. Chorei algumas vezes no chuveiro e desejei ter algum tipo de poder que tornaria possível trazer todas as pessoas que eu amo pra perto. (Ganhar na loteria também vale). Mas não dá pra cobrar isso da vida. Ela já tem sido tão gentil comigo ultimamente. Sinto até um aperto no peito quando fico triste por saudade. Metade por estar chorando. Outra metade por estar fazendo isso em uma situação onde comparado a grande parte das garotas da minha idade, sou privilegiada – afinal, faço o que eu amo e consigo pagar todas as minhas contas no fim do mês.

Bom, as semanas foram passando, e a correria típica de cidade grande ocupando meus dias. Decorei meu quarto novo. Entrei em alguns cursos – incluindo o de húngaro, que eu tanto queria fazer. Saí com o pessoal. Conheci pessoas que até então não passavam de arrobas. Não aprendi a cozinhar direito, mas descobri o quanto a parte de congelados do supermercado é deliciosa. Mudei a minha noção de distância – perto e longe.

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Por hora não quero pensar nas escolhas que não fiz. Deixo para o próximo mês a tarefa de parar de criar rituais de sofrimento (em outras palavras, stalkear). Parar de ir na Zara toda semana, confiar tanto nas pessoas interesseiras, e por fim, levantar da cama mesmo nos 6°C que tá fazendo e ir caminhar (de preferência não usando o google maps), sem inventar desculpas esfarrapadas.

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