Buda e Peste: Love at first sight

13 de agosto, primeira noite em Budapeste. Expectativas a mil. Minha cabeça, como sempre, com suas engenhocas incessantes parece querer me fazer fraquejar de medo e receio. Travo uma batalha interna e me recuso. Afinal, o quanto eu lutei pra estar aqui? Quantas noites sem dormir, por buscar forças que me impedissem de desistir. Não era isso que eu queria? Perdi a conta de quantos “tapas mentais” me dei por simplesmente cogitar que fiz a escolha errada.

Minha primeira noite não foi lá das melhores. Tinha tudo pra dar errado e me causar uma péssima primeira impressão de Budapeste. Mas não deu. Budapeste (na verdade Buda e Peste, divididas pelo Danúbio) é simplesmente maravilhosa.

Chegando no hostel reservado pra 5 dias, desagradável surpresa: uma espelunca. E o tal do idioma que eu sonhava aprender, começou a se tornar uma espécie de pesadelo quando a minha única opção foi tentar me comunicar com o estranho senhor da recepção através do Google tradutor. Aí tive a ideia mais sensata que me ocorreu: cancelei toda a reserva e avisei minha família que tudo ia bem – o que não era totalmente mentira. Assim que acordei na manhã seguinte, fui pra casa de uns amigos brasileiros (aos quais vou ser eternamente grata), onde fiquei até encontrar um cantinho pra chamar de meu.

Problemas resolvidos, bora aproveitar o que Peste tinha de melhor. Os lugares mais legais não são necessariamente próximos, mas o sistema de transporte público da cidade funciona muito bem e integra metrô, trem e ônibus.

A minha primeira semana já começou com o Sziget – considerado o maior festival de música da europa, ganhador do prêmio Best Major European Festival 2014 -. Acontece uma vez ao ano aqui em Budapeste na ilha Óbuda, no rio Danúbio, sempre em agosto. Esse ano, o festival contou com shows que foram de Avicii a Kings of Leon (o grande responsável por eu ter comprado o ingresso, confesso).

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Nosso Sziget, por Carol Davin 💃❤

Depois da intensa primeira semana preenchida pelo Sziget, tinha chegado a hora de começar a conhecer pessoalmente tudo aquilo que eu só tinha visto por fotos. E o que eu menos esperava aconteceu: Consegui me apaixonar ainda mais por Budapeste.

Pra começar, um dia inteiro pra vasculhar o centro de Peste. Dá aquela sensação de estar vivo e de que tudo aquilo está vivo também. Aproveitei pra ver o Parlamento, a Praça dos Heróis, a Basílica de São Estevão, uma espiada no Danúbio, a famosa Ponte das Correntes – ponte que liga Peste a Buda -, a Citadella – lugar perfeito para uma vista panorâmica maravilhosa da cidade – e o charmoso Castelo de Vajdahunyad.

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Parlamento húngaro
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Danúbio
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Praça dos Heróis
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Basílica de São Estevão
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Ponte das Correntes
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Citadella
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Castelo de Vajdahunyad

Acho que depois de tudo isso, pelo menos um dia tem que ser deixado pra conhecer Buda. Bem, Buda não é nenhuma badalação ou centro comercial como Peste. É aí que está a graça. Buda é histórica e meio medieval. É única e encantadora. Tão diferente e tão próxima de sua irmã Peste. A entrada em Buda foi pelo metrô, mas fiz questão de desbravar a pé. São inúmeros os pontos turísticos pelo caminho. Mirantes maravilhosos, lojinhas de souvenirs, a Igreja Matthias, o Bastião dos Pescadores e finalmente o incrível Castelo de Buda (sim, aquele do clipe da Katy Perry).

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Igreja Matthias
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Castelo de Buda
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Bastião dos Pescadores

Agora falando de nightlife, a vida noturna de Peste exige ser desbravada, independente do dia da semana que for. Destaque para os “Ruin pubs” (pubs em ruínas),  que são um dos principais motivos da capital da Hungria ser um dos meus lugares favoritos. Não são bares comuns que você encontra em qualquer esquina. São lugares cheios de história e cultura.

Tudo teve origem na  Segunda Guerra Mundial, quando foi construído o distrito judeu de Budapeste, gueto onde vivia parte população judia que não havia sido mandada para campos de concentração. Mesmo com o fim da guerra, o distrito não teve muita atenção ou investimento do governo: as casas abandonadas e em mal estado acabaram sendo usadas para realocar a população romana desabrigada da cidade.

Já no nosso século, em 2001, o lugar passou a receber eventos culturais pontuais nos prédios abandonados e em ruínas. Esse foi o pontapé inicial para o surgimento dos pubs em ruínas. Mas, enfim, o que tem de tão diferente em tais bares? Chamados literalmente de “bares ruínas”, em húngaro “romkocsma”, são bares cujos prédios estavam em estado decadente e que são decorados com o que estava lá dentro: itens abandonados e móveis vintage, sendo que a disposição de tais objetos nem sempre faz sentido.

Além disso, os romkocsma também transformaram o cenário do distrito judeu, uma vez que a partir de sua popularidade foram surgindo gradualmente outros bares, cafés, restaurantes, confeitarias, boutiques e, claro, vários pubs em ruínas. Atualmente, o  bairro é descolado, “trendy”, e cheio de gente nas ruas a qualquer hora.

O primeiro bar desse tipo a abrir em Budapeste foi o Szimpla, localizado em uma das principais ruas do distrito judeu, que em qualquer horário é super movimentada. Aberto todos os dias da semana, de meio-dia até as três da manhã, está sempre cheio de gente, principalmente turistas, exprime o “tipo ideal” de ruin pub e tem uma área aberta com mesas bizarras de madeira, bar de vinhos, banheiras e filmes projetados na parede. O bar é tão grande que eu sempre ficava perdida ao mudar de uma área para outra. Semanalmente, eles oferecem eventos culturais relacionados a temas variados, como música, cinema, culinária, dentre outros.

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Um dos bares do Szimpla

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Fachada do Szimpla

Outra coisa imperdível para quem colocar os dois pés em território húngaro é experimentar a tradicional Pálinka, bebida forte idolatrada por húngaros de todas as classes sociais. Minha primeira experiência com a Pálinka foi complicada. Acabei pegando a dose dupla (só notei na hora de pagar) e, fraca como sou, achei horrível. Depois provei de novo e acabei gostando. Destaque para a Pálinka de maçã e de pêssego.

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Pálinka

Acho que deu pra sentir pelo meu texto que Budapeste foi paixão à primeira vista. Que vai aumentando e se concretizando a cada dia que se inicia, sempre me levando a uma história nova pra conhecer, um monumento incrível a me deparar ou um caminho diferente pra percorrer, me conquistando cada vez mais. Truque de Budapeste para me seduzir, tenho certeza.

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