Começo

Esse é o diário de viagem de uma intercambista do Ciência Sem Fronteiras. Espero que tirem algum proveito das minhas histórias (todas reais) e que se inspirem um pouco nessa maravilha que é viajar.

O começo de tudo isso foi em Agosto de 2014. Fazer um intercâmbio sempre foi um sonho, que parecia distante. Foi minha professora de inglês que botou aquela pressão pra que eu fizesse logo a tal inscrição pro programa. Bem, resolvi fazer. No fim não tinha nada a perder, tinha?

No meio de vários países diferentes, algo na Hungria me chamou atenção. Por quê? Não sei. Tinha que ser Europa. Tinha que ser algo diferente. Acabou que o edital aceitava apenas domínio do idioma inglês e eu, toda boba, achei que ia ser uma chance de aprender um idioma novo (e que idioma, diga-se de passagem).

Certa vez, em uma das minhas milhares de visitas ao Google pra descobrir um pouco mais sobre a Hungria, me deparei com o livro “Budapeste”, de Chico Buarque. Era como se ele, o autor, me conhecesse e soubesse que eu iria passar por aquele sobressalto de querer aprender, sem razão e quase de forma obsessiva, aquela que “segundo as más-línguas, é a única língua do mundo que o diabo respeita”. Aquele arranque do livro era eu naquele momento a querer desbravar uma língua nova apenas porque me apaixonei pela sua sonoridade. E quando mais ninguém compreendia, Chico Buarque de Hollanda sabia, conhecia, e soube descrever a minha angústia. É o feitiço da língua húngara.

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Sem a mínima noção do aspecto, da estrutura, do corpo, mesmo das palavras, eu não tinha como saber onde cada palavra começava e até onde ia. Era impossível destacar uma palavra da outra, seria como pretender cortar um rio com uma faca. Aos meus ouvidos, o húngaro poderia ser mesmo uma língua sem emendas, não constituída de palavras, mas que se desse a conhecer só por inteiro.

A inscrição deu algum trabalho, as burocracias encheram o saco e o que eu menos esperava aconteceu: Passei. Estou aqui, na Hungria, há exatos 1 mês e 24 dias, matriculada na Szent István University pra cursar um ano de Medicina Veterinária. E é esse o relato que vou contando, aos poucos, pra vocês.

Tirem seus sapatos, fiquem confortáveis e venham desbravar a Europa (quem sabe o mundo!) comigo.

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